
Ela é um furacão! Por onde passa arrasta multidões. Do alto do seu TRIATRO encanta o Brasil e o mundo, sem perder as suas raízes. Há 18 anos ostenta o título de Rainha do Axé e é a artista brasileira com maior reconhecimento internacional. Estou falando de Daniela Mercury, que na noite do dia 31 de dezembro gravou o seu sexto DVD no réveillon de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Um show de Brasil nas areias de Copacabana foi o que Daniela promoveu para cariocas e turistas do Brasil e do mundo. “Quero ver o mundo sambar” foi prometido e realizado por Daniela. Um mar de gente se confundia com a costa atlântica da cidade maravilhosa. Canibália, que para a cantora significa “misturar o mundo”, leva o país para o mundo no DVD Canibália – Ritmos do Brasil.
No fundo do palco, um telão de led projeta telas, pinturas de diversos artistas. E com uma introdução magnífica Mercury começa seu show, uma magia, uma verdadeira mostra de profissionalismo e emoção.
O DVD começa com Benção do Samba, uma série de canções de Dorival Caymmi e Ary Barroso e Daniela Mercury mostra que o samba nasceu na Bahia quebrando preconceitos, “se hoje ele é branco na poesia, ele é preto demais no coração”.
Em seguida ela traz Preta, de J. Velloso, Mariene de Castro, Seu Jorge, Gabriel Moura e Wallace Jeferson, que mesclado com Sorriso Negro, mostra toda a força da miscigenação brasileira.
Uma homenagem ao mais belo bloco de afoxé baiano, o Ilê Ayê, é cantado, dançado e encenado ao som de O mais belo dos belos,Por Amor ao Ilê e Ilê, Pérola Negra.
Em um passe de mágica Carmem Miranda aparece e ao som de O que é a que a baiana tem, a pequena notável baiana encontra sua inspiração.
“Latina com seu jeito doce de menina”, Daniela Mercury enaltece a América Latina, sua casa, onde sua voz ecoa ao som de Sol do Sul.
As releituras de Minas com Bahia e Rapunzel do album Feijão com Arroz e das músicas Quero a felicidade e Música de rua animaram o público carioca que dançaram o famoso kuduro angolano.
O Afrolata entra em cena e com a percussão de Vigário Geral, mostra a força dos morros cariocas ao som de O Reggae e o Mar. Uma apresentação impecável.
Em Trio em Transe o cinema nacional é retratado por Daniela em uma verdadeira obra de arte. E em seguida, ela relembra seus 13 anos de idade, traz Elis Regina, na música de Belchior, Como nossos pais.
As duas novas músicas de trabalho são apresentadas ao público carioca. Com o arranjo de um reggae ela canta Iluminado, de Vander Lee e incendeia Copacabana com uma preta festa santa e grita É Carnaval.
A toda majestosa, campeã do carnaval carioca em 2010, Unidos da Tijuca, entra em cena. Com uma belíssima apresentação Daniela faz o mundo se render ao Samba e canta Vide Gal e Quero ver o mundo sambar.
A seguir, uma das partes mais lindas do espetáculo. Entra em cena Parintins, o Boi Garantido, com sua percussão forte transforma a terra do sambódromo em um Bumbódromo. Ao som de Paixão de Coração e Vermelho, o furacão abala as areias de Copa.
Pra finalizar, a música afro entra em cena com Oyá Por nós, Swing da Cor, Maimbê Dandá e mostra que o canto do Rio de Janeiro também é dela, com o Canto da Cidade.
Definitivamente em talento, criatividade, competência e profissionalismo, está para nascer outra cantora baiana que superará a “rainha do axé”.



Prisão durante show - A argentina Mercedes Sosa, apelidada por alguns de "A voz da América Latina", deixa aos 74 anos uma obra vasta e de forte temática social, após uma vida de resistência política misturada ao romantismo, com dezenas de parcerias importantes. Nascida em 1935 em Tucumán, no norte da Argentina, teve origem humilde e gostava desde cedo de interpretar canções folclóricas. Aos 15 anos, participou de um concurso de uma rádio com um grupo, quando a afinada cantora se destacou. O prêmio pela vitória foi um contrato de dois meses com uma emissora. Era o início da carreira.Na década de 1960, Mercedes participou do Movimento do Novo Cancioneiro, surgido em Mendoza e centrado na música popular latino-americana, com ênfase no componente social. Além de obter sucesso na Argentina, a artista ganhou palcos pelas Américas e também na Europa.A temática social e a ligação com a esquerda lhe renderam também dissabores. Em 1979, um show da artista foi invadido pelos militares, durante a ditadura argentina (1976-83). Não apenas ela foi presa, mas inclusive o público presente. Naquele mesmo ano, Mercedes decidiu se exilar."La Negra", como também era conhecida, voltou à Argentina em 1982, na fase final da ditadura. Na década de 1980, Mercedes realizou trabalhos em parceria com Milton Nascimento. Entre os brasileiros que também cantaram com ela estão ainda Caetano Velloso e Daniela Mercury.Na reta final, Mercedes ainda encontrava reconhecimento do público e da crítica. Seu último álbum, "Cantora 1", alcançou boa vendagem e foi indicado a três prêmios no Grammy Latino, com entrega marcada para 5 de novembro em Las Vegas. Entre os parceiros deste último trabalho estão artistas como Shakira, Fito Páez e Joaquín Sabina.Gracias a la vida/que me ha dado tanto...", a canção de Violeta Parra, considerada uma das fundadoras da música popular do Chile, ganhou versão definitiva na voz de Mercedes Sosa.