PLANTÃO ÚLTIMO SEGUNDO

14 maio 2009

Análise semiótica

Quero tentar fazer uma análise semiotica entre a capa de dois filmes. Um é o SEGREDO DO BROKEBACK MOUNTAIN, de Ang Lee; o outro é o brasileiro que vai estrear em agosto de 2009 denominado DO COMEÇO AO FIM, de Aluizio Abranches.
















O premiado BrokeBack Mountain conta a historia de dois cowboys que se apaixona incondicionalmente, ultrapassando fronteiras de uma criação puritana, interiorana dos Estados Unidos da América.

O filme brasileiro apesar de ter a temática homossexual, aborda porém um novo tabu na sociedade mundial, que é o incesto. Como um irmão pode se apaixonar por outro?

A resposta para esses tabus estão no intertitulo de Brokeback Mountain e em um trecho de Do Começo ao Fim.

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN: "O amor é a força da natureza"

DO COMEÇO AO FIM:

_ Eu te amo
_ E por que você me ama?
_ Eu te amo porque você é meu. Eu te amo porque você precisa de amor!
_ Eu também te amo!
_ E por que que você também me ama?
_ Eu te amo porque... para entender o nosso amor vai ser preciso virar o mundo de cabeça para baixo.









22 abril 2009

Faço meu próprio discurso

Vivemos em uma Era em que o discurso tornou-se forte a ponto de talvez manipular as atitudes das pessoas. Em 2009 anos da Era Cristã, no mundo ocidental, a discursão em torno do que é certo e o que é errado, o que pode ser feito e o que não pode, deveres subordinados a uma instituição que acha que tem o direito de julgar as atitudes das pessoas, vem quebrando paradigmas que há pouco tempo atrás jamais pensaríamos que seria feito.

Recentemente a Igreja Católica Apostólica Romana, entidade criada pouco antes da Idade Média, com o intuito de explicar e coordenar a vida das pessoas excomungou uma família e os médicos de um hospital em Recife quando foi feito um aborto em uma criança – grávida de gêmeos – fruto de abuso sexual infantil, a pedofilia.

Esta entidade secular, que entra Papa e sai Papa, continua com o mesmo pensamento da era da inquisição.Ao defender a vida, queria por em risco a vida da mãe dos bebês, uma criança de nove anos. Com um discurso inflamado e ignorante, o bispo de Recife, excomungou toda a família, discurso que pode ter sido colocado na cabeça de algumas pessoas e que, ao lado do Santo Padre, pode ter influenciado algumas pessoas a pensar igual. Lendo Michel Foucault passei a perceber o quanto falar pode ser perigoso.

Foucault diz que o discurso está na ordem das leis; que há muito tempo se cuida de sua aparição; que lhe foi preparado um lugar que o honra, mas o desarma. E concordo plenamente com ele. Exemplifico essa passagem dizendo que em muito fácil condenar uma pessoa, apontar o dedo, sem olhar para si mesmo, e que o mesmo pode acontecer consigo. Os políticos, por exemplo, costumam chamar um ao outro de corrupto, de ladrão, desonesto. Lembro-me agora de um caso peculiar do Senado brasileiro, quando Antonio Carlos Magalhães, presidente da Casa, acusou o senador Jader Barbalho (PMDB-Pará) de corrupto, devido a denuncia ocorrida na Superintendência de Desenvolvimento do Amazonas (SUDAM). Este mesmo político, poucos dias depois, foi acusado burlar o painel eletrônico de votação do senado, (votação secreta) e fazer chantagem com a senadora do PT Heloísa Helena.

Aplicando Foucault para os dias atuais trago o tabu do objeto ao analisar o filme Alexandre, um filme de Oliver Stone. Na Grécia antiga, homem dormir com homem, o homem beijar a boca do homem, um homem poder amar outro homem era comum e não era condenado pela sociedade. Alexandre era apaixonado por Heféstion e segundo Ptolomeu ele jamais foi derrotado, exceto pelas coxas de Heféstion. Exemplifico um dos procedimentos de exclusão ao analisar o comportamento de minha avó ao ver uma passagem do filme quando o professor de Alexandre fala sobre o amor de Aquiles por Pátroclo e termina dizendo: “Quando homens se deitam juntos por luxúria estão se rendendo as paixões e nada acrescenta para a nossa excelência. Mas quando os homens se deitam juntos e trocam conhecimento e virtude, isto é puro e excelente. Quando eles competem para obter o melhor um do outro esse é o amor entre os homens que pode construir uma cidade-estado e nos tirar dessa vida desta vida medíocre.” Minha avó se recusou a assistir ao filme induzida por uma realidade vivida por ela em que o homem nasceu para a mulher e vice-versa. Não se eu é que estou velho ou se Foucault enxergou muito tempo adiante quando fazia seus discursos.

José Saramago, ao iniciar o livro Ensaio Sobre a Cegueira, diz: “Se tem olhos ver. Se ver, repare”. Muitos de nós não enxergamos a nossa própria realidade, o que nos esta em volta devido a um discurso em que os oprimidos, os pobres, os fedorentos são os excluídos da sociedade e nada podemos fazer para reverter. Será?!

O discurso que remete a sexualidade ainda é um tabu a ser quebrado. Foucault diz em a Ordem do Discurso, que o discurso está longe de ser esse elemento neutro ou transparente no qual a sexualidade desarma e a política se pacifica.
Na era Cristã, a sexualidade é reprimida. O prazer é proibido, seja ele qual for. O homem não conhece seu próprio corpo. Voltando a Igreja Católica, a verdade defendida por ela para se chegar ao reino dos Céus, acaba revelando um Deus malvado e que o castigo é a única forma de punição, tendo em vista a busca do prazer.

Esse paradigma quebra quando os renascentistas fazem uma revolução na Idade Moderna. Foucault diz que a vontade de saber o que prescrevia o nível técnico do qual deveriam investir-se os conhecimentos para serem verificáveis e úteis começa a partir da grande divisão platônica, a vontade da verdade tivesse sua própria história (...). O filme o Código daVinci mostra uma outra verdade sobre a vida de Jesus que muitos acreditam. E não penso que tenha que ser condenado. Cada um aceita, cada um faz o seu discurso.

14 abril 2009

Sociedade Hipocrita ou hipocrita sociedade?

Ser homossexual em qualquer lugar é motivo de piadinhas, de brincadeiras fúteis na maioria das vezes de baixo calão.Muitas das vezes esse tipo de ironia sarcástica acontece na própria família que não aceita que o filho ou filha possam assumir sua identidade sexual contraria ao que a sociedade determina como padrão.
Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra homossexual significa o individuo que pratica ou tem afinidade sexual com indivíduos do mesmo sexo. O gay, seja ele masculino ou feminino, sente prazer em esta próximo intimamente com indivíduos iguais fisicamente.Mas se assumir gay ou lésbica perante a sociedade não é fácil. Com uma visão antiquada, voltada a doutrina religiosa e patriarcal, a sociedade não aceita a comunhão gay. Alega que Deus fez o homem para a mulher e vice versa, pois somente assim haverá amor e ocorrerá a perpetuação da espécie.

As atitudes hipócritas de determinados conjuntos de indivíduos, deixa claro o quanto o homossexualismo é repudiado. Expressões com “viado tem que apanhar para aprender ser homem”, é dita corriqueiramente. Travestis, gays, transformistas, são objetos de abusos físicos e morais nos guetos e ruas dos grandes centros urbanos.

A equidade, ou seja, o sentimento de justiça que impõe o reconhecimento dos direitos de cada um, ou um critério de julgamento legal, é motivo de luta do mundo homossexual. Ter o direito de ir e vir, de freqüentar os lugares com liberdade, de expressar seus sentimentos sem ser coibido pela sociedade é motivo de luta para os gays do mundo todo. Porem, paira uma pergunta: Desde quando há repudio aos gays na sociedade?

Sabe-se que Alexandre, O Grande imperador do reino da Macedônia era homossexual e o reino a quem ele dominava, aceitava sem haver repressão. A pratica homossexual entre os samurais chineses era na aceita no meio, como um fato corriqueiro. Porem com o advento do Cristianismo estimulado pela Igreja Católica Romana, os relacionamentos gays começaram a ser condenados. Eram tidas com transigências demoníacas e que tinha que ser abolidas.

Assim a Sociedade Ocidental, passou por uma lavagem cerebral, por parte daqueles que se diziam donos da veracidade. Transformaram-se em verdadeiras detentoras da hipocrisia, falsidades, demagogia, fascistas. As pessoas passaram a perder cada vez mais os seus direitos e ganhar mais deveres.

O Vaticano condena o homossexualismo. A felicidade das pessoas não interessa, o que verdadeiramente importa é o caminho que tem que ser trilhado para a salvação, se é que ela realmente existe. Mas eles, as vitimas do terrorismo moral, vem lutando em busca dois seus direitos legais. Não através de pálidas atitudes, aquelas a serem aprovadas com Congresso Nacional. Mas sim, em grandes e verdadeiras marchas em prol da luta aos seus direitos, ao livre arbítrio em todo o mundo denominado de “Parada Gay”.

Eles estão tendo mais facilidade de conversar com as suas famílias sem ter o medo. Se assumir gay perante os pais ainda é difícil, mas já está começando a aparecer uma luz no final do túnel. Muitas mães e pais já estão aceitando as características, a opção sexual de seus filhos.Laura Finocchiaro, cantora bissexual, autora do “Hino à Diversidade” tema da ultima Parada Gay de São Paulo, diz que “todos os homossexuais – masculino ou feminino – para serem aceitos tem que sair do armário. Fora do palco isso já virou regra.” Para ela não adianta esconder sua opção sexual, pois a felicidade não virá. Para o gay ser aceito ele tem que se aceitar.A saciedade tem que deixar de lado, a idéia antiquada que ser gay é uma doença, ou então uma fase passageira da adolescência. O homossexual tem o direito de amar e ser amado, respeitar e der respeitado.Para finalizar, nada melhor que um trecho do “Hino à Diversidade” de Laura Finocchiaro que cita de forma clara, singela e culta que todos somos iguais e que a vontade de “abraçar”, “acolher” as diferenças do próximo é de grande valia pra o intelecto dos indivíduos. “Abrace a diferença/viver é diferente/ se a gente diz que é gente/ não tem o que nos vença.”

07 abril 2009

Projeto quer revitalizar a Mata Atlantica

A Mata Atlantica, que contém a maior diversidade em flora e fauna do mundo, finalmente será restaurada. Organizações ambientalistas resolveram, de fato, olhar para o prejuizo que é a crescente destruição da Floresta.

O projeto pretende restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlantica até 2050, o equivalente a 1/4 do território da Bahia. É uma iniciativa muito boa tendo em vista a area original que ainda esta preservada. Porém é muito pouco tendo em vista a area natural da Mata Atlantica. Esta iniciativa irá restaurar 20% do que ainda existe. Mas ao meu ver é muito pouco tendo em vista que o projeto irá durar 40 anos.


A floresta tem que começar a ser preservada principalmente nos espaços urbanos. Salvador por exemplo é uma das maiores cidades do país que ainda existe a Mata Atlantica preservada. Mas, a região da Avenida Paralela, local com maior concentraçao da vegetação, está sendo invadida por grandes centros imobiliarios destruindo assim o que ainda resta da Mata Atlantica.


Pode se fazer o melhor projeto de reflorestamento mas se não houver um politica de educação ambiental, o trabalho feito será em vão.

03 abril 2009

Ilê Ayê perde um dos seus fundadores

Hoje a Associação Cultural Ilê Aiyê ficou de luto com a morte de Jonatas Conceição, diretor da entidade, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia (MNU) e professor da Universidade do Estado da Bahia/UNEB.

Conceição sempre foi ligado à questão sócio-educacional. Um dos responsáveis pela implantação do Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê, que tem como objetivo qualificar a educação dos jovens negros baianos contribuindo também para a elevação de sua auto-estima.

Sem duvida nenhuma é um grande perda para as lutas sociais. Jonatas Conceição lutava pela inserção da igualdade para o povo negro procurando deixar de lado as separações. Conceição com suas ideologias deixa com um legado muito importante para a fixação da identidade negra na Bahia e no Brasil.

Jonatas era Professor da UNEB, onde lecionava no curso de Letras Vernáculas, no Campus de Euclides da Cunha. Foi roteirista de programas educativos da Rádio Educadora FM e coordenador de produção do programa radiofônico Tambores da Liberdade, voltado para a cultura afro-descendente. Como escritor e poeta ativista, mostrava, com sua arte, os traços da Literatura Negra. Publicou, em 1984, o livro Miragem de Engenho; em 1989, o livro Outras Miragens; em 1992, escreveu o ensaio “Reflexões sobre o Ensino de Português para a Escola Comunitária”.

Jonatas Conceição nasceu em 8 de dezembro de 1952. O seu sepultamento será às 16 horas desta sexta-feira, dia 3 de abril, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.

31 março 2009

Gênio da literatura não vai mais escrever

O escritor Colombiano Gael García Marques, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, não voltará mais a escrever. García Marques, 82 anos, autor de vários livros dentre eles "Cem anos de solidão", afirmou durante a Feira do Livro de Guadalajara no mês passado declarou que escrever livros da trabalho.

A agente literária Carmen Barcells já estava prevendo esse fato. "Acho que Garcia Marques não voltará a escrever mais", disse ao jornal chileno La Tercera. Ela assegurou que o autor representa cerca de 36,2% do faturamento de sua agencia literária.


O escritor Gerald Martin, autor da única biografia de Gabriel García Marques, se diz concordar a agente literária. Mas ele ressalta que o escritor tem livros prontos guardados mas não sabe serão publicados.


Se de fato, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, abandonar a escrita iremos perder um dos maiores escritores do mundo. Jornalista, ativista político e cineasta o escritor contribuiu muito para que o mundo mirasse seus olhos para o sul, em especial para a América do Sul. Depois de Pablo Neruda e suas metáforas vejo García Marques como criador do realismo mágico.

24 março 2009

Vigilantes caminham por melhores salários

Vigilantes e seguranças de toda a cidade saíram em passeata pelas ruas de Salvador reivindicando um reajuste salarial e benefícios como alimentação e seguro de vida. A manifestação saiu do Comércio, na Avenida Estados Unidos, em direção a Avenida ACM, no Iguatemi.
A classe solicita aos patrões um aumento de 6,36% sobre o salário – que atualmente é de R$ 550, um ganho real de 12% baseado no crescimento do setor da segurança privada. Outra exigência é aumento no ticket alimentação no valor de R$ 10 (atualmente é de R$ 5,50). Eles pedem um adicional de 30% por risco de vida.
Os seguranças e vigilantes são pessoas que vivem constantemente em perigo. Um salário no valor atual leva a uma desvalorização do profissional devido ao grau de periculosidade. O ticket alimentação é um desrespeito ao trabalhador, tendo em vista que, um Prato Feito (popular P.F.) está no valor de R$ 6, ou seja, os trabalhadores tem que contribuir com R$ 0,50 a mais.
Agora é aguardar pra ver qual o resultado será. Se a passeata de cerca de 10 quilômetros terá êxito ou tudo acabará em pizza.

Novo Jornalista mais opininativo

Caros leitores do Espaço Novo Jornalista. Nesse semestre o nosso blog será atualizado mais constantemente, com textos opinativos mas também com nossas reportagens, entrevistas e crônicas que é a principal característica de nosso site.

Então amigos, vamos nos deliciar em uma gostosa leitura.

04 março 2009

Muito bacana, muito legal: Bué da Fixe

De uma hora para outra, as rádios de Salvador começaram a tocar “o som que vem da rua”, uma música de um grupo denominado Bué da Fixe. As pessoas se perguntavam o que significava o nome dessa banda e de onde surgiu. Com cara de menino, mas com uma força de vontade enorme de vencer no seu projeto, a banda Bué da Fixe, Allan Spínola, uma das revelações do Carnaval de Salvador deste ano, conta a Fagner Abreu, do Folha Salvador, o significado do nome da banda, como ele se descobriu cantor e os projetos para o futuro. Com apenas 25 anos - 14 destes dedicados à música – Allan, com seu timbre forte e grande carisma está prestes a se tornar uma estrela da chamada Axé Music.

Folha Salvador - Allan, desde muito pequeno você já se interessava pela música. Seu começo foi cantando em um coral da Igreja Batista. Como foi o período de transição para a axé music?

Allan Spínola – Curuminhoo... Sempre me imaginava cantando e essas imagens sempre foram eu estar cantando em cima de um trio elétrico. Então, acho que não mudou nada, pelo menos no meu interior, no meu coração lá dentro e fora. No banheiro (risos) sempre fui cantor de axé.

FS - Você disse uma vez que desafinava em casa para que a família não descobrisse que cantava bem. Seus pais não queriam cantores na família?

AS - Muito pelo contrário. Eles, quando descobriram, ficaram bué felizes. Eu que tinha vergonha mesmo.

FS - Foi na missa de sétimo dia de seu tio que você mostrou o seu verdadeiro dom, não foi isso?

AS - Até então só meus amigos sabiam que eu tinha jeito para a música. Eu sou muito tímido e até para cantar para eles, eu tinha que estar tomando umas ( bebida alcoólica). Em 2002, morreu o meu tio e resolvi cantar uma música gospel na missa de sétimo dia. Foi uma surpresa para todos e foi linda a homenagem. Depois disso, uns primos me convidaram para cantar em um grupo de samba. Durou pouco tempo porque eu tinha 18 anos e era muito verde e tímido para estar a frente de uma banda. Por isso saí.

FS - Você chegou a integrar um grupo de samba e em 2004 foi back vocal de uma banda de axé. Que banda foi essa?

AS - Em 2004, eu vi um anúncio no jornal “precisa-se de backing vocal para banda de axé”. Corri para ligar e o cara disse que eu tinha que mandar, por e-mail, umas fotos e áudios para mostrar o meu trabalho. Era tanta coisa, que falei para ele que não tinha acesso a Internet para enviar o que ele queria, mas poderia cantar ao telefone. Depois disso, ele mandou eu ir fazer um teste e fiquei na Banda Balada Nova, por seis meses.

FS - E sua estada em Portugal, como foi? Foi lá que você conseguiu formar a Bué da Fixe, não é isso?

AS - Fui para Lisboa trabalhar em uma loja de antiguidades. Depois de um tempo passei a frequentar barzinhos e conheci vários brasileiros que faziam som nesses bares e todas as sextas-feiras, à noite, eu ía “dar canjas” com eles. Depois de um tempo, montamos “Os Bué da Fixe”. Éramos cinco integrantes e não era nada parecido com a banda atual Bué da Fixe. A sorte caiu sobre a gente quando, meu chefe da loja de antiguidades, me perguntou o que eu iria fazer com o dinheiro que juntava. Eu respondi que voltaria ao Brasil para comprar uma casa e montar uma banda de axé porque era o meu sonho e que axé só dava certo se fosse em Salvador. Acho que ele teve pena, sei lá; Deus tocou o coração dele e ele foi nos assistir. Gostou muito e resolveu apostar, mas tinha o prazo de um ano para ajeitar a vida e os negócios dele por lá. Enquanto não voltava, fui me preparando. Fiz aulas de canto até voltar para o Brasil.

FS - Está sendo muito difícil entrar no mercado concorrido da axé music?

AS - Graças a Deus, 2008 foi um ano que aconteceu muita coisa boa com a Bué da Fixe. A nossa música foi uma das mais tocadas no verão. No Carnaval as pessoas responderam muito bem à nossa música. Muita gente mal conhecia a banda e mesmo assim transmitia para a gente muito carinho e estou muito feliz. Acho que as coisas estão acontecendo devagar e vai acontecer mais na hora certa. É difícil e é trabalhoso, mas não é impossível .

FS - Você esse ano cantou no maior festival de música do país, o Festival de Verão Salvador. A partir daí você acredita que a banda criou maturidade pra enfrentar o carnaval?

AS - Acho que sim! Não só o Festival, mas também os ensaios na boate Madrre serviram como um pré-vestibular. Eu fui me conhecendo cada vez mais, me descobrindo como artista. Comecei a testar o que poderia dar certo no repertório e perceber o que a galera mais gostava de escutar. Sempre um ensaio melhor que o outro. A casa lotava. Depois fui ao Festival de Verão que serviu como ensaio geral da banda, com um público diferente do que eu estava acostumado na Madrre. Comecei o show com 50 pessoas mais ou menos e de repente a Arena Conta Universitária Bradesco estava completamente lotada. Havia ali umas 2500 pessoas. A partir desse momento, eu pude sentir o calor do público. Foi resposta o tempo inteiro. Aquele público me surpreendeu de verdade. Eu pude ver que, a Bué da Fixe, já era querida. Tudo isso me deu mais maturidade e forças para encarar o carnaval.

FS - A banda tem apenas oito meses de formação e você já conseguiu grande êxito. Foi eleito pelas rádios o melhor cantor revelação deste ano e está concorrendo ao Dodô e Osmar, e como forte candidato. Como você se sente prestes a ganhar projeção nacional e qual foi a sensação de subir em um trio elétrico, agora como líder de uma banda?

AS - Quando eu subi no trio foi maravilhoso. Acho que a ficha ainda não caiu e muita coisa boa aconteceu nos dias de Carnaval. Recebi muito carinho de todo mundo (minha família, meus amigos, pessoas que apreciam o nosso trabalho, da minha banda, dos meus produtores, de artistas já consagrados como Saulo da Banda Eva, que cantou comigo na Casa D’Itália, de Serginho Fernandes que cantou a minha música, Marcio Vítor, que também cantou “O som que vem da rua”, Alexandre Peixe, que me cumprimentou duas vezes e me viu quando ele passou no trio). Ivete Sangalo, Tatau e Tonho Matéria também falaram comigo. Foi tudo lindo, foi perfeito e até hoje não durmo direito (risos). Tudo isso é o que eu mais quero na minha vida. Ser reconhecido pelo meu trabalho. Aliás, todas as pessoas querem que o seu trabalho seja conhecido por toda parte e por toda gente, não é? Estou muito feliz com tudo isso e quero dizer para as pessoas que isso é resultado de um sonho e de muito trabalho. Nós estamos começando agora, ainda sou um “bebê” e tenho muito ainda para aprender e... é isso aí.

FS - Já falamos de Bué da Fixe, mas o que significa o nome da banda?

AS - Bué da Fixe significa muito bacana, muito legal, coisa muito boa. Bué significa muito, e Fixe legal. É uma gíria da galera de Portugal.

FS - O que podemos esperar do grupo e do vocalista Allan Spínola daqui pra frente?

AS - Música boa, bons shows e amor em tudo o que partir de mim e da Bué da Fixe.

publicado no Folha Salvador.

12 dezembro 2008

Unificação Ortográfica reflete relações de poder entre países, afirma especialista

“Não há porque seguir alimentando a idéia tacanha e colonialista de que os portugueses são os ‘donos do idioma’ e que nós, brasileiros, temos de nos submeter às decisões deles porque usamos uma língua ‘emprestada’ e, para piorar, a deturpamos toda”. Quem dispara essa defesa ácida – em um português muitíssimo claro – é o lingüista e professor da Universidade de Brasília (UnB), autor de “O preconceito linguístico”, Marcos Bagno, em depoimento ao Folha Salvador. O acordo ortográfico, em vigor a partir de janeiro, interfere diretamente sobre os 230 milhões de falantes do idioma no mundo.


Indignado ao ouvir a expressão “unificação da língua portuguesa”, Bagno salienta que o pacto altera exclusivamente as normas ortográficas, mas não extingue a variedade fonética. “Os brasileiros não vão passar a falar como os portugueses, nem os portugueses como os brasileiros, simplesmente porque vão passar a escrever do mesmo modo, assim como pernambucanos e gaúchos não falam da mesma maneira”.

Mas se o lingüista não prevê grandes transformações no uso cotidiano do português, o tom da resposta muda quando se trata da posição brasileira no cenário mundial. “O aspecto mais importante da unificação é político”, acentua Bagno. Ele acredita que o acordo revela uma mudança importante na balança do poder. “É preciso que os portugueses reconheçam sua absoluta desimportância no cenário internacional e admitam que quem manda hoje na língua portuguesa no mundo é o Brasil”.

DIVULGAÇÃO DA LÍNGUA
Faltando apenas um mês para iniciar – de fato – a junção ortográfica e das gramáticas portuguesas, milhões de pessoas terão de se adaptar a uma nova forma de escrita. “A língua portuguesa é o terceiro idioma ocidental mais falado, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de haver duas ortografias (portuguesa e brasileira, únicos países falantes do idioma a terem academias reguladoras da língua), dificulta e atrapalha a divulgação do idioma e possivelmente a sua prática”, afirma a educadora Zilene Souza.

Para o economista Eduardo Brito, o fato de existirem duas ortografias dificulta campanhas de divulgação do idioma pelo mundo, sua adoção em fóruns internacionais e a impressão de manuais de instruções em português. "O acordo é uma condição essencial para a definição de uma política externa de promoção da língua portuguesa e sua difusão".

As mudanças foram discutidas pelos membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) desde 1990. Quase duas décadas depois, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, terão, enfim, uma única forma de escrever.

Tão logo as novas regras entrem em vigor, inicia-se o período de transição, no qual ministérios da educação, associações, academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos, gradativamente, vão reimprimir livros, dicionários, entre outros.


Mas os consumidores podem ficar tranqüilos quanto ao valor das obras impressas, é no que aposta o gerente da Livraria Civilização Brasileira, Ricardo Chaves. “Não acredito que vá aumentar os preços dos livros. O Mini-dicionário Aurélio é o único revisado com as novas regras e está o mesmo preço”. Para ele, o processo de adaptação vai demorar, “até porque, existem muitos livros ainda no mercado”.

SARAMAGO É CONTRA
A reforma ortográfica não conquistou unanimidade entre grandes entendedores do idioma. José Saramago, único escritor da língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em entrevista concedida à Rede de Televisão Portuguesa (RTP), declarou-se francamente contrário às modificações. “Continuarei escrevendo sem incorporar as mudanças de grafia previstas”, afirmou.

Publicado no Folha Salvador
As denúncias vão de ameaças a lesões corporais e estupros. Conforme dados da Delegacia Especial de Proteção a Mulher de Brotas (DEAM), cerca de 70% dos crimes contra a mulher acontecem no âmbito doméstico e os agressores são os maridos ou companheiros. No ano passado, foram registradas 8.875 ocorrências policiais na DEAM; de janeiro a outubro de 2008, outras 7.532. Devido aos números expressivos, foi instalada em Periperi, subúrbio ferroviário da capital, a segunda unidade da DEAM.

“A violência contra a mulher vem de dentro da casa. Cerca de 60% dos casos foram classificados como crime de proximidade, isto é, cometidos por pessoas conhecidas das vitimas”, afirma a delegada titular da DEAM Brotas, Cely Carlos.

A Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, em agosto de 2006, aumentou o rigor das punições por agressões
contra a mulher ocorridas no âmbito familiar. A lei entrou em vigor em 26 de setembro de 2006 e, no dia seguinte, o primeiro agressor foi preso, no Rio de Janeiro. “A Lei Maria da Penha conceitua e define as formas de agressões sofridas por mulheres no cotidiano: violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral”, explica a advogada criminalista Patrícia Macedo.

PENALIDADES - Maria da Penha é uma farmacêutica que foi espancada pelo marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredias Viveros, durante seis anos. Em 1983, ele tentou matá-la por duas vezes. Na primeira com arma de fogo, deixando a paraplégica, e a segunda por eletrocussão e afogamento. Marco Antonio foi preso somente depois de 19 anos de julgamento e ficou detido por dois anos em regime fechado.

Conforme a delegada, no passado as agressões eram classificadas como “rixas” e a penalidade ao agressor era insignificante, como por exemplo o fornecimento de cestas básicas e pagamento de multas. “Com a lei, o agressor não paga (cestas básicas, multas) por ter batido na mulher. A Lei Maria da Penha é uma revolução nos direitos da mulher”, afirma. A nova legislação prevê penas de um a três anos de prisão.

ÁREA DE RISCO - A delegacia inaugurada no subúrbio ferroviário já era uma reivindicação da população da área. Conforme a delegada titular de Brotas, 30% das ocorrências registradas procedem da região do subúrbio. A nova unidade vai atender aproximadamente 500 mil habitantes residentes na área.

Para o sociólogo Jorge Lisboa, a aprovação da Lei Maria da Penha e a instalação de novas delegacias destinadas ao combate da violência contra a mulher são fundamentais tanto para punir quem já agride quanto para deixar inseguros novos potenciais opressores. “A sociedade brasileira, especialmente neste momento, tem se revelado extremamente violenta. Daí a necessidade de criação de mecanismos capazes de assegurar o respeito aos direitos humanos e a dignidade da mulher, particularmente”, enfatiza.

Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro

O Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro e vai contar com pelo menos com 12 clubes. Os organizadores esperam que o certame revele novos nomes para o cenário nacional. De acordo com o assessor de comunicação do Galícia, Murilo Gitel, o campeonato deve trazer muitas revelações para a Seleção Brasileira de futebol feminino, a exemplo de
outras disputas anteriores, quando o próprio Galícia revelou atletas atualmente consagradas na Seleção Brasileira, como Elaine Estrela e Viola.

Na opinião do presidente do clube, Raimundo Nonato Reis, o Brasil precisa de um campeonato nacional de futebol feminino. Para ele, a falta de infra-estrutura no esporte pode impedir o surgimento de substitutas no mesmo nível de Formiga e Marta na seleção. “O Brasil
precisa acordar e ver que o futebol feminino já é uma realidade”, afirma.

Os prováveis clubes que, de acordo com a Federação Baiana de Futebol (FBF), devem participar do campeonato são: Abrup Esporte Clube, Associação Desportiva Independente, Associação Desportiva Lusaca, Clube 2004, Esporte Clube Estrela de Março, Galícia Esporte Clube, Flamengo de Feira Futebol Clube, Fluminense de Feira Futebol Clube Feminino, Real Bahia Esporte Clube, São Cristóvão Esporte Clube, São Francisco Esporte Clube e Seleção de São Félix.


Vice-campeão olímpica lamenta a falta de apoio ao esporte no Brasil

Atualmente vice-campeão do Mundo, vice-campeão olímpico e campeão Pan-Americano de futebol feminino, o Brasil não tem um campeonato nacional capaz de estimular a prática da modalidade. A Seleção Brasileira, que conta com a baiana Formiga e a alagoana Marta – eleita Melhor do Mundo em 2007 –, tem a maioria de suas atletas jogando em times estrangeiros. Marta é jogadora do clube sueco Uméa IK. Formiga é uma das poucas que continuam no
País, onde atua no Clube Botucatu, em São Paulo.

Formiga se despediu da seleção brasileira após a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Pequim, em agosto deste ano. Ela estava na Seleção desde 1995 e disputou quatro Copas do Mundo pelo Brasil. Ela e a jogadora Pretinha são as que atuam na seleção há mais tempo. “É muita injustiça. A gente se doa tanto e não tem o reconhecimento daqueles que podem fazer algo pelo futebol feminino no Brasil”, diz Formiga.

21 outubro 2008

Segundo turno abre nova temporada de acordos políticos

Após uma intensa disputa pela prefeitura, Walter Pinheiro (PT) e o prefeito João Henrique (PMDB) disputam o segundo turno na capital baiana. O prefeito alcançou 402.684 votos e Pinheiro 390.933. ACM Neto (DEM), que liderou as pesquisas eleitorais desde o começo, ficou em terceiro lugar com 346.881 votos. O ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB) ficou em quarto com 108.660 e Hilton Coelho (PSOL) em quinto com 51.196. Os dados são do Tribunal RegionalEleitoral (TRE).

No primeiro turno, o tema da segurança pública predominou nos debates. O prefeito João Henrique, disse ao Folha Salvador (Confira no site), que o seu governo investiu muito na área. Conforme o prefeito, ações como a criação das vias exclusivas para ônibus, o Banho de Luz, câmeras nos coletivos e a implantação da Guarda Municipal tem contribuído para diminuir os índices de violência na capital.

Pinheiro, por sua vez, se eleito, pretende ampliar as ações do PRONASCI – Programa Nacional de Segurança e Cidadania, instalando câmeras em locais estratégicos como Estação Pirajá, Liberdade, Estação Mussurunga e Itapuã. Outra proposta seria o Ronda 24 horas que prevê o patrulhamento em uma área de três quilômetros quadrados por viaturas alocadas por bairro.

O ex-prefeito Antônio Imbassahy, que chegou a ser favorito, não conseguiu êxito nessa disputa e já declarou seu apoio ao candidato petista. O próximo prefeito deverá disputar o apoio na Câmara dos Vereadores. Com os resultados do primeiro turno, a base aliada de João Henrique soma 16 vereadores contra 10 de Pinheiro. Falta saber que posição devem tomar os 12 vereadores da coligação de apoio a ACM Neto e se os três de Imbassahy manteriam o apoio a Pinheiro após o segundo turno.

Campeonato Baiana de Futebol Feminino começa em novembro

O Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro e vai contar com pelo menos com 12 clubes. Os organizadores esperam que o certame revele novos nomes para o cenário nacional. De acordo com o assessor de comunicação do Galícia, Murilo Gitel, o campeonato deve trazer muitas revelações para a Seleção Brasileira de futebol feminino, a exemplo deoutras disputas anteriores, quando o próprio Galícia revelou atletas atualmente consagradas na Seleção Brasileira, como Elaine Estrela e Viola.

Na opinião do presidente do clube, Raimundo Nonato Reis, o Brasil precisa de um campeonato nacional de futebol feminino. Para ele, a falta de infra-estrutura no esporte pode impedir o surgimento de substitutas no mesmo nível de Formiga e Marta na seleção. “O Brasilprecisa acordar e ver que o futebol feminino já é uma realidade”, afirma.

Os prováveis clubes que, de acordo com a Federação Baiana de Futebol (FBF), devem participar do campeonato são: Abrup Esporte Clube, Associação Desportiva Independente, Associação Desportiva Lusaca, Clube 2004, Esporte Clube Estrela de Março, Galícia Esporte Clube, Flamengo de Feira Futebol Clube, Fluminense de Feira Futebol Clube Feminino, Real Bahia Esporte Clube, São Cristóvão Esporte Clube, São Francisco Esporte Clube e Seleção de São Félix.


Vice-campeão olímpica lamenta a falta de apoio ao esporte no Brasil

Atualmente vice-campeão do Mundo, vice-campeão olímpico e campeão Pan-Americano de futebol feminino, o Brasil não tem um campeonato nacional capaz de estimular a prática da modalidade. A Seleção Brasileira, que conta com a baiana Formiga e a alagoana Marta – eleita Melhor do Mundo em 2007 –, tem a maioria de suas atletas jogando em times estrangeiros. Marta é jogadora do clube sueco Uméa IK. Formiga é uma das poucas que continuam noPaís, onde atua no Clube Botucatu, em São Paulo.

Formiga se despediu da seleção brasileira após a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Pequim, em agosto deste ano. Ela estava na Seleção desde 1995 e disputou quatro Copas do Mundo pelo Brasil. Ela e a jogadora Pretinha são as que atuam na seleção há mais tempo. “É muita injustiça. A gente se doa tanto e não tem o reconhecimento daqueles que podem fazer algo pelo futebol feminino no Brasil”, diz Formiga.

Papel da Guarda Municipal ainda gera duvidas na população

A Guarda Municipal de Salvador (GMS), instituída pela Prefeitura, está nas ruas desde Julho, mas a população desconhece quais as funções da corporação. “A Prefeitura só faz anunciar que a Guarda Municipal está em ação, mas não explica o que ela vai fazer, como vai agir. Eu mesma não sei direito o que é essa Guarda Municipal”, reclama a dona de casa Maria Helena Gonçalves, 55.

Por enquanto, o patrulhamento é a principal atribuição da Guarda. Apesar de a legislação permitir o uso de armas de fogo pelas corporações municipais em cidades com mais 500 mil habitantes, em Salvador, os agentes não portam esse tipo de armamento, apenas cassetetes e algemas; também não detêm suspeitos, mas podem encaminhá-los às delegacias.

Cerca de 600 agentes atuam no momento, mas esse número deve aumentar. “Não é o efetivo necessário, mas estão nas ruas os que foram treinados. Até o final do mês de outubro serão 1.500”, informa o secretário de Serviços Públicos, Fábio Mota.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da GMS, compõem a área de patrulhamento as estações de transbordo, a Praça da Piedade, o Pelourinho, o Dique do Tororó, a praça do Campo Grande e os bairros de Amaralina, Calçada, Pituba, Boca do Rio, Baixa do Fiscal, Plataforma, Paripe e Avenida Luiz Viana Filho (Paralela).

O superintendente da GMS, coronel José Alberto Guanais, afirma que, nessa fase de implantação, o efetivo está distribuído em locais onde costumam acontecer pequenos delitos, como no Centro Histórico e em pontos em que as pessoas costumam fazer caminhadas, corridas e exercícios físicos, especialmente na Orla.

Nas estações de transbordo da Lapa e de Pirajá, os membros da GMS possuem desfibriladores portáteis (equipamentos de descarga elétrica para atendimento em casos de paradas cardíacas). Esta iniciativa faz parte do Projeto Viva Coração, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que adquiriu 80 desses equipamentos para serem usados em locais de grande concentração popular.

A guarda também auxilia a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) nas ações deorganização e fiscalização do trânsito. Graças ao convênio firmado com a SET, a Guarda Municipal recebeu 30 automóveis e 30 motocicletas. A atuação da GMS no trânsito gera polêmica. “É comum encontrarmos agentes da Guarda Municipal trabalhando em conjunto com a SET. São três agentes por viatura. Eu não concordo com isso. Só é função da guarda proteger o patrimônio público, o cidadão, auxiliar o Samu e o Corpo de Bombeiros”, declara o químico Lisandro Giraldez. Para ele, é incorreto a Guarda Municipal atuar em operações como a Lei Seca e administração do tráfego da cidade.

25 setembro 2008

Neto apresenta propostas

O candidato a prefeito de Salvador ACM Neto dos Democratas esteve na Faculdade 2 de Julho para um debate com os estudantes, ocasião em que apresentou suas propostas caso seja eleito prefeito da capital. Antes do debate, o candidato conversou com Fagner Abreu Do Espaço Novo Jornalista e Folha Salvador.

Fagner Abrêu: A construção do metrô criou um problema sério entre o seu grupo político, as empreiteiras, o Partido dos Trabalhadores e Governos Estadual e Federal. Como resolver este impasse do metrô caso seja eleito? O metrô vai sair?
ACM Neto: Bem. Em primeiro lugar eu desconheço esse fato que envolve as empreiteiras, como você está dizendo. Eu vou fazer a minha parte. Vou trabalhar pelo bem estar do povo de Salvador. Não vou ter receio de ir conversar com o governador Wagner para trazer projetos para Salvador assim como para o presidente Lula. Mas não vou ficar correndo atrás. Cada um sabe de suas responsabilidades. O metrô de Salvador chegando até a Rótula do Abacaxi ou até a Estação Pirajá vai continuar sendo o menor do mundo. Queremos estender o metrô de Salvador para ele atingir uma quantidade maior de pessoas. Queremos implantar o Veículo Leve sobre Trilhos explorando canteiros como a Bonocô e Avenida Paralela. O metrô de Salvador vai sair, ou melhor, tem que sair, pois daqui a alguns anos teremos a copa do mundo de futebol e Salvador almeja ser uma das sub-sedes.

F.A.: O senhor entrou em atrito na época do “mensalão” com o presidente Lula, fato que tem sido explorado pelos seus concorrentes. Como o senhor pretende manter boas relações com os Governos Estadual e Federal considerando estes fatos? Isto não coloca em dúvida a tese de que o senhor representa uma mudança em relação a política tradicional baiana?
ACM Neto: Essa é uma boa pergunta. Em 2005 houve um escândalo de corrupção no país envolvendo o Governo Federal. Componentes do governo envolveram-se em desvios de dinheiro público, dinheiro do povo. Eu acho um absurdo, dentro desses seis anos de mandato como deputado federal e inúmeros pronunciamentos na tribuna da Câmara as pessoas se aterem a apenas um pronunciamento e desqualificarem a minha qualidade como político. Naquela época eu estava iniciando a minha carreira política e, assim como qualquer brasileiro, fiquei indignado com o fato. Mas isso eu acho que já foi superado. Sou uma pessoa experiente e quero administrar Salvador com decência.

F.A.: O senhor poderia detalhar sua proposta a respeito do projeto Big Brother Bairro? Tem algum projeto integrado com as polícias? Quantas câmeras serão instaladas?
ACM Neto: Eu tenho sido muito criticado pelos meus concorrentes em relação ao projeto. Esse projeto já deu certo em cidades como Madri, Londres, Bogotá, São Paulo. Bogotá era uma das cidades mais violentas do mundo e com uma política contra violência bem planejada, conseguiu reverter este quadro. Vamos criar a Secretaria de Segurança e Prevenção à Violência que, não só planejará todas as ações municipais na área, como contará com uma efetiva Guarda Municipal. A princípio vamos instalar as câmeras nos bairros mais violentos de Salvador. E ao contrário do que meus concorrentes estão dizendo, que o projeto não dará certo porque os bandidos vão destruir as câmeras é bom salientar que elas são blindadas.

Pinheiro apresenta suas propostas

O candidato a prefeito de Salvador pelo PT, Walter Pinheiro, esteve na Faculdade 2 de Julho para um debate com os estudantes. Pinheiro abordou suas propostas para a capital caso seja eleito prefeito. Antes do debate o candidato falou com Fagner Abrêu do Espaço Novo Jornalista e do Folha Salvador.

Fagner Abrêu: O senhor, em suas propagandas políticas, tem apregoado a necessidade de uma ação conjunta entre os Governos Estadual e Federal. Não é um equívoco defender a necessidade de o prefeito ser do mesmo partido do governador e do presidente considerando que independentemente da sigla partidária, se governa para a população? A demora da definição em quem o governador Wagner e o presidente Lula apoiariam prejudicou sua campanha?
Walter Pinheiro: Bem. Em minha campanha eu não tenho dito que é necessária uma ação conjunta entre os Governos Federal e Estadual. Tenho dito que com a parceria dos dois governos será mais fácil governar, pois conheço bem o presidente Lula e o governador Wagner, fomos militantes partidários e fundamos o Partido dos Trabalhadores. Com essa parceria, é claro que será muito mais fácil governar e conseguir recursos para a cidade. Agora, o que prejudicou um pouco nossa campanha foi a definição das prévias. Somente em maio que foi lançada a minha candidatura, isso foi o que mais prejudicou. E em relação ao apoio do governador Wagner ele já deixou claro quem é o candidato dele para Salvador.

F.A.: Conforme o censo do IBGE-2000, o déficit habitacional de Salvador é de 85.429 habitantes. Porém, atualmente, este dado já deve se aproximar a 100.000 habitantes. O senhor tem algum projeto para diminuir estes números? Existe verba para a realização?
W.P.: Salvador tem um déficit habitacional que beira os 100.000 habitantes. Isso foi devido ao crescimento desordenado que a cidade sofreu durante muitos anos. As pessoas vinham do interior para estudar em Salvador e aqui ficavam depois de formados, ocasionando o inchamento populacional, dentre outros fatores. No governo do presidente Lula foram criadas duas universidades federais, a do Recôncavo e a do São Francisco, e uma terceira está por vir que, a do Oeste. Com essas faculdades instaladas no interior baiano as pessoas deixarão de vir pra Salvador. O que queremos fazer é dar uma cara nova pra Salvador, investir em infra-estrutura urbana. As pessoas estão construindo casas desordenadamente em lugares de risco, desmatando áreas que deveriam ser preservadas. O Cidade Verde é um dos nossos projetos, em parceria com Wagner e Lula vamos integrar as ações de saneamento, habitação e proteção ambiental. Vamos implantar o Ronda 24h onde a polícia vai está mais perto da população, as viaturas não poderão sair dos bairros e os policias vão cobrir uma área de três quilômetros quadrados. Vamos ampliar as ações do Pronasci, o maior e mais completo programa de segurança já realizado no Brasil.

F.A.: O PT de Salvador é contra esse PDDU proposto pelo prefeito João Henrique. O senhor tem dito que irá fazer uma discussão pública em relação ao PDDU. Quais são as críticas que o senhor tem em relação ao plano e como será essa discussão pública?
W.P.: Nosso governo vai ser o mais democrático possível. Vamos sempre pedir a opinião da população em relação as nossas atitudes no governo municipal. Em relação ao PDDU ele tem uma série de problemas e precisamos revê-los. O PDDU atual deixou o subúrbio e os bairros populares de lado, entregou a orla marítima e a paralela a interesses imobiliários e não apresentou solução para a moradia do povo. Temos que revitalizar Salvador. Um bom plano diretor contribuirá para a melhoria de diversos setores da cidade. Daqui a alguns anos, teremos a Copa do Mundo de Futebol e Salvador não poderá ficar de fora. Luto para que o novo estádio seja na Fonte Nova e não na Paralela, pois assim iremos fortalecer a região da cidade baixa, do subúrbio. Se for na paralela vamos fortalecer a região do Litoral Norte e de cidades da região metropolitana de Salvador, fugindo totalmente dos nosso interesses. Proponho sim uma revisão desse PDDU que, do jeito que está, não nos favorece em nada.

Hilton Coelho apresenta suas propostas

O candidato a prefeito de Salvador pelo PSOL, Hilton Coelho, esteve no auditório da Faculdade 2 de Julho nesta quarta-feira 3 de setembro para debate com os estudantes. Hilton respondeu perguntas sobre seu plano de governo, suas propostas, sobre como ele agiria uma vez eleito, considerando a grande resistência na Câmara Municipal, a questão da segurança pública, entre outros. Hilton concedeu uma entrevista exclusiva a Fagner Abrêu do Espaço Novo Jornalista e Folha Salvador antes da palestra e apontou alguns problemas que a cidade vem tendo assim como a importância desse diálogo com os estudantes.

FAGNER ABRÊU: Qual é a importância desse diálogo com os estudantes?
Hilton Coelho: É uma importância muito grande. Estamos fazendo uma preliminar do que seria o nosso próximo governo. Para nós existe uma possibilidade de transformar a vida de Salvador em uma forte mobilização da sociedade na política. O segmento universitário é sem dúvida um segmento privilegiado porque tem responsabilidade social, principalmente em pensar a pesquisa e extensão.
Não podemos pensar em nossa cidade de maneira imediatista, superficial, mas sim em longo prazo. Esta relação tem sido muito pouca aproveitada nas administrações. Essa é uma das nossas críticas. O vínculo dessa administração municipal com a população universitária é muito fraco. Eu costumo dizer que a pesquisa e a extensão universitária não podem se transformar em prestação de serviço para a prefeitura. Elas têm um significado muito mais profundo que isso e em função dessa característica elas se tornam muito subaproveitada.

F.A.: Nas pesquisas de opinião, os candidatos do PSOL têm percentual pequeno de votos, em todo o país. Então, na prática, nem sempre se está falando na possibilidade de vitória imediata nas urnas. Qual a importância de se ter um partido de “resistência” como diz seu slogan de campanha, nas eleições?
H.C.: O PSOL é um partido novo e esta é a sua primeira eleição para prefeito e vereador em Salvador. O que eu costumo dizer que o que vai ser revelado nas urnas é uma incógnita. Salvador, inclusive a Bahia, tem demonstrado um resultado surpreendente.
Na eleição passada, um candidato estava confirmado para ganhar no primeiro turno, e outro candidato foi o vencedor. Para nós, esses resultados expressivos são questionáveis no sentido deles terem dificuldade de captar a dinâmica do processo eleitoral. Concluo dizendo que o PSOL pode ser um partido pequeno na situação inicial de construção, mas ele é grande nas idéias.

F.A.: O candidato João Henrique em debate realizado ontem aqui na Faculdade 2 de Julho falou muito da conquista da autonomia da cidade em seu governo. Essa autonomia existe? E se não existe, como seria?
H.C.: Ela existe. A prefeitura tem uma margem de mão-de-obra para fazer investimento na cidade como por exemplo na Secretaria de Saúde e Educação que precisa de mais recursos. A prefeitura tem arrecadação própria que é bem expressiva e vem aumentando no último período. Porém Salvador passa por uma situação muito difícil na aplicação desses recursos. A prefeitura se preocupa em atender interesses particularistas do empresariado. Infelizmente muitos desses recursos são desviados.
O caso do metrô é emblemático. Uma obra que parou muitas vezes e que, com o passar dos tempos, foi se encarecendo. É uma obra que começou com R$ 478 milhões de gastos e que agora já chega a R$ 1 milhão. Essas interrupções foram feitas através de denúncias de irregularidades. O que nós queremos é que o capital da prefeitura deixe de ser focado para o setor privado, mas sim para as pessoas que precisam.

F.A.: Seu jingle é um dos mais lembrados nas eleições desse ano em Salvador, mas é grande o desconhecimento dos eleitores sobre sua plataforma, aliás, sobre todas as plataformas. O senhor não teme ser apenas parte de uma letra de música?
H.C.: A música revela a identidade cultural do nosso povo e que é focado na nossa ideologia, como por exemplo, a afro-descendência. Os afro-descendentes são a maioria em nossa cidade. A música por si só já espelha pontos de vista em relação à massa, ainda que, em uma dimensão mais simbólica.
Os debates políticos têm sido poucos, apesar de existir uma enorme vontade da sociedade. A comunidade universitária vem querendo realizá-los, mas cerca de quatro debates em universidades e faculdades, foram cancelados em função da falta de disposição dos outros candidatos. No CEFET, por exemplo, chegamos a fazer o debate sozinhos. Esses debates programáticos nós estamos fazendo e disposto a fazer.
Em relação ao marketing da candidatura isso não é o ponto de vista principal para a nossa campanha. Nós não queremos posicionar nossa candidatura ao grande financiamento do empresariado porque isso cria laços com a administração pública. Optamos por uma campanha com menos recursos, cerca de 40 vezes menos que a do candidato que gasta mais.

João Henrique fala sobre suas propostas

O prefeito de Salvador e candidato a reeleição, João Henrique, esteve na Faculdade 2 de Julho para um debate com os estudantes na terça-feira. Foi uma oportunidade para apresentar suas propostas para um novo mandato caso seja reeleito. O prefeito deu uma entrevista exclusiva a Fagner Abrêu do Espaço Novo Jornalista e Jornal Folha Salvador antes do diálogo com os estudantes.

Fagner Abrêu: Em 2004, o senhor esteve na Faculdade 2 de Julho, como candidato, para um debate com os estudantes. Como se sente vindo agora como prefeito? Qual a importância desse diálogo?
João Henrique: Eu sinto uma grande satisfação de estar aqui. O diretor, professor Josué, é uma pessoa que eu admiro há muitos anos e a Faculdade 2 de Julho muito me honra pela sua tradição. Venho aqui porque entendo ser muito importante a participação dos estudantes no processo sucessório do comando da cidade, tanto no Poder Executivo quanto no Legislativo. Acredito ser de fundamental importância essa participação. Dizer que na política não existe políticos de bem é querer generalizar. É como você condenar todos os profissionais de saúde por causa de uma falha médica realizada por outro profissional. Eu sou contra a esse alheamento, afastamento do cidadão em relação ao voto e participação na política. Como sou contra aos que defendem o voto nulo, como forma de protesto. Temos que participar para que possamos cobrar. Bertold Brecht já dizia: “o pior analfabeto é o analfabeto político”.
Está se chegando ao final do meu mandato. No Brasil, o mandato do Executivo é de quatro anos. Entendo que seja muito pouco tempo para você arrumar a casa, avançar em relação as conquistas, em uma sociedade que é muito desigual. As políticas públicas para distribuir melhor a renda, promover justiça social, sofrem muita resistência. Para acabar com essa desigualdade é preciso quebrar muitos privilégios, paradigmas, enfrentar certos poderes estabelecidos da comunicação local. Então fica mais difícil você promover uma distribuição de renda, sobretudo aqui no nordeste, onde existe um controle muito forte da mídia. Com isso quatro anos se faz um tempo muito exíguo. O mandato do poder Executivo no Brasil deveria ser entre cinco e seis anos. E se pudesse haver a coincidência das eleições melhor ainda, porque se reduz custo e o trabalho rende mais, tanto para os Estados quanto para os municípios.

F.A.: Todos os outros candidatos estão propondo que Salvador precisa de uma reforma educacional. Qual é a proposta da sua candidatura para a educação?
J.H.: A educação é o caminho que nós temos para a ascensão social. Salvador ocupava a 26ª posição no IDEB (Índice de Educação Básica) quando assumi a prefeitura. Tirando Brasília, nós temos 26 capitais, então a cidade detinha a última posição no IDEB. Atualmente ocupamos a 16ª posição.
A nossa meta é disputar o primeiro lugar. Em três anos passamos dez capitais, por que não conseguiremos partir para primeiro nos próximos anos? Por isso, qualificamos os professores, que tiveram reajustes salariais em 36% em três anos e meio, quando a inflação nesse período foi de 14%. Começamos nesses três anos o curso de inglês e para o ano teremos o curso de espanhol nas escolas.
Em relação à merenda escolar, nós temos 180 mil alunos, e eles têm como principal refeição do dia, a merenda. Quando assumi encontrei as crianças tomando chocolate com água. Hoje não! Hoje o cardápio é variado, nós melhoramos muito a qualidade da merenda.
O ensino informatizado com a qualificação e a capacitação iniciando-se também na sala de aula foi outra conquista. Atualmente, 100% das nossas escolas têm inclusão digital, têm ensino de computação, têm informática. Foi uma revolução silenciosa e queremos cada vez mais trabalhar na qualidade do ensino público de Salvador.
F.A.: Uma última pergunta candidato: Como especificamente a guarda municipal irá agir, o que a cidade poderá esperar de melhor em relação à segurança? A segurança é atribuição do governo e a prefeitura não tem verba para isso, de onde virá esse dinheiro?
J.H.: O problema que está imposto a Salvador, da violência, da segurança pública é conseqüência da desigualdade social, da concentração de renda que se cultiva no Brasil há muito séculos. A forma para alterar esse quadro seria uma educação de qualidade. A falta da educação, informação, oportunidade ao longo desses quatro séculos e meio de Salvador levou a essa situação, com o aumento da violência. Salvador viu sua população aumentar em 500 mil habitantes nos últimos oito anos. O equivalente a uma Feira de Santana. Isso causa um impacto social, econômico, e sobretudo na segurança pública muito grande.
É um crime transferir todo o problema da segurança pública para os municípios. A Constituição é clara quando diz que a segurança pública é responsabilidade do Estado. Para prevenir e dar segurança pública começamos com um programa chamado “Banho de Luz” reduzindo a violência. Ao assumir o comando da cidade encontramos um dado estatístico muito grave que era 20 assaltos a ônibus por dia. Atualmente são seis. Como nós reduzimos isso? Primeiro com faixa exclusiva para ônibus coisa que Salvador não tinha. Junto a isto instalamos câmeras filmadoras em 78% da frota. Cada ônibus possui quatro equipamentos e hoje já temos cerca de 1.880 dos 2.200 ônibus da cidade equipados com câmeras de segurança.
Estaremos criando o projeto “Trans-salvador” que será uma revolução no transporte coletivo e particular. Nós vamos também desconcentrar o transporte coletivo que hoje é única e exclusivamente dependente do tradicional ônibus para outros modais. O metrô, cuja primeira etapa vai ser entregue em dezembro, a via náutica, que já será aumentada até o mercado modelo e as ciclovias farão parte do projeto.

18 setembro 2008

Imbassahy fala propostas de governo ao Espaço Novo Jornalista

O candidato do PSDB a prefeitura de Salvador, Antônio Imbassahy, esteve na Faculdade 2 de Julho para um debate com os universitários nesta segunda-feira. Foi uma oportunidade para apresentar suas propostas para um possível mandato, caso seja eleito. O candidato conversou com Fagner Abrêu do Espaço Novo Jornalista e Folha Salvador antes do diálogo com os estudantes.

Fagner Abrêu: Candidato. O seu maior trunfo na campanha eleitoral é o desempenho dos seus governos anteriores. Nessa época o senhor tinha todo o apoio dos governos Federal e Estadual. Caso ganhe as eleições pelo PSDB, partido que não tem boas relações com o Democratas aqui na Bahia e que faz oposição ao governo do PT nacionalmente, como articular a base de sustentação do seu governo?
Antônio Imbassahy: Bem. Eu governei Salvador por dois mandatos pelo PFL, de 1997 a 2004. Com a Constituição de 1988 as prefeituras tiveram mais autonomia. As verbas que vêm do Governo Federal já caem direto nas contas da prefeitura, sem passar pelo Estado. Em relação ao governador Jacques Wagner nós fazemos parte da base de apoio do seu governo. Nós apoiamos a sua candidatura ao governo do Estado e com o presidente Lula eu tenho uma boa relação. No dia do lançamento da minha candidatura a prefeito de Salvador, o governador esteve presente e disse que muito alegrava a ele caso eu ganhe as eleições. Depois com a candidatura de Pinheiro ao prefeitura, candidato do seu partido, ele disse que era o candidato dele, o que é normal. Então não vejo que terei problemas em uma futura administração em relação aos governos Federal e Estadual.

F.A.: O prefeito João Henrique em entrevista ao Folha Salvador, afirmou que ao assumir a prefeitura encontrou a educação ocupando a 26ª posição no IDEB no ranking das capitais do país. Atualmente a capital ocupa a 16ª posição. Em tese, houve melhorias. O que o senhor vai manter e o que vai mudar caso seja eleito?
A.I.: Esse índice do IDEB não é padrão até porquê ele flutua muito. Mas em relação à educação em meu governo ela foi muito bem trabalhada. Construímos escolas municipais de primeiro e segundo graus, capacitamos os professores dando graduação plena, criamos o Portal Universitário, onde as faculdades privadas dão descontos aos professores da rede municipal para graduação e pós graduação, aumentamos o número de professores, merenda escolar de qualidade. Criamos o IPS, Instituto de Previdência do Servidor, e que com a gestão atual não está funcionando bem.

F.A.: Em seus dois mandatos o senhor construiu apenas 25 postos de saúde. Uma de suas propostas para essa gestão é construir 100 postos. De onde virá esse dinheiro, considerando que as dificuldades devem ser maiores?
A.I.: Quando acabou o mandato deixei 117 postos de saúde, todos eles funcionando, e funcionando bem. A maior receita que a prefeitura recebe em relação a saúde vem do Governo Federal e equivale a 75% um total de quase R$ 750 milhões. O restante é da receita do próprio município. Bem, para se montar um posto de saúde se gasta cerca de R$ 300 mil, sendo ele completo, com equipamentos. Então é possível. Eu consegui na outra gestão, sendo que naquela época o Brasil enfrentara inúmeras crises e os recursos estavam mais difíceis por parte do Governo Federal. Hoje o Brasil está mais preparado e não vejo dificuldades. Pretendo construir mais três maternidades para atender as regiões de Itapuã, São Cristóvão, Mussurunga, Subúrbio, Cajazeiras e Fazenda Grande. A vaga garantida para o parto onde ela, a mãe, ganhará uma carteira onde estarão contidos seus dados pessoais e mais o mês previsto para o parto e onde ela ganhará o bebê. É possível trabalhar para o bem estar do povo.

Antes de iniciar o debate com os estudantes, o candidato ainda falou sobre suas propostas em relação a cultura. Imbassahy afirmou que devido aos inúmeros problemas que a saúde, a educação, a segurança pública têm vivido na atual gestão, a cultura tem perdido espaço. Porém, o candidato frisou que Salvador é o berço cultural do Brasil e que este potencial tem que ser explorado. Ele afirmou que pretende revitalizar o Pelourinho e investir no poder cultural do povo de Salvador. Pretende criar espaços para eventos nos bairros e dar apoio às bandas de música, grupos de dança, teatro, artes, artesanato, capoeira, entre outros.