PLANTÃO ÚLTIMO SEGUNDO

04 abril 2008

PDDU vai promover mais desigualdades sociais em Salvador

PDDU, que o prefeito João Henrique conseguiu aprovar numa polêmica sessão na Câmara Municipal, vai prejudicar a cidade de Salvador, a orla, incluindo o Rio Vermelho, e vai promover mais desigualdades sociais. Esta é a opinião do vereador Everaldo Augusto, 50 anos, morador do bairro do Rio Vermelho, em entrevista exclusiva a Fagner Abrêu do Espaço Novo Jornalista.

Fagner Abreu: Qual a sua relação com o governo municipal?

Everaldo Augusto: A relação atual do PCdoB com o prefeito João Henrique é uma relação de independência. Nós apoiamos o prefeito João Henrique no segundo turno, o partido ocupou uma secretaria na sua gestão, com um quadro importante do nosso partido, fazendo um trabalho exemplar na educação, um trabalho inovador. O trabalho começou com a vereadora Olívia Santana, que informatizou a matrícula, acabou com as filas e com aquele caos que existia todos os anos. Inovou no ponto de vista pedagógico incorporando na grade pedagógica a história afrobrasileira. O trabalho foi dado continuidade com o ex-vereador Ney Campelo.
No final do ano de 2007, nós (PCdoB) nos afastamos da gestão municipal e assumimos uma opinião crítica por um projeto apresentado pelo prefeito João Henrique. E também, para atender à necessidade de manter independência e pleitear uma candidatura a prefeito em Salvador, seria incoerente continuar apoiando a gestão municipal atual. Mas nós temos críticas à forma como o prefeito vem administrando a cidade, em vários aspectos. É uma grande liderança política, no entanto, deixa a desejar quando a gente vai fazer uma avaliação em ponto de vista da administração da cidade e do ponto de vista até das ultimas posições políticas que ele (prefeito) vem adotando. Há uma opinião bastante critica com relação ao PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano). Todos esses elementos favoreceu a uma posição de saída do PCdoB do governo municipal.

Fagner Abreu: Qual foi a posição do PC do B em relação ao processo de aprovação do PDDU?

EA: A nossa posição em relação ao PDDU é de crítica desde o início, ainda quando o PCdoB fazia parte do governo. Nós não fomos oposição ao PDDU por alguma razão habitual. Nós encaramos o PDDU como um projeto de cidade para Salvador, que tem que levar em conta que nós temos uma cidade bastante desigual. Se existe uma característica para Salvador é com relação às desigualdades. Mais de 80% da nossa população vivem excluídas dos nossos serviços públicos, excluídas do acesso às oportunidades de estudo, de saúde e essas desigualdades estão agora patentes. Salvador tem a menor renda per capita de todas as capitais brasileiras. A proposta do PCdoB é que se deve preparar Salvador para o século XXI, porém sem desigualdades. Em nossa opinião, o PDDU aprofunda essas desigualdades. O PDDU aponta um maior investimento onde a população tem maior poder aquisitivo. Uma outra questão é que esse PDDU é muito genérico com relação à população mais pobre. Com relação à saúde, moradia, trabalho, dentre outros fatores sociais, o PDDU é bastante generalizado. Mas com relação à orla de Salvador, às questões ambientais, ele é muito detalhista, fazendo com que todo esforço realizado pelos segmentos públicos, se realmente for implantado o PDDU, vai esvair-se. Nós fomos contra e não ficamos sozinhos. Nossa opinião foi compartilhada com base nos estudos feitos pelas universidades, CREA, pela OAB, pela AVI, pelos movimentos sociais, ambientalistas, pelo PT, PSDB, PPS, PSB e nota-se que maior parte desses partidos que se posicionaram contra o PDDU faziam parte da base de sustentação do governo. O governo fez uma opção, se afastou da sua base e se aproximou de seus adversários de antigamente no caso da direita e centro para poder aprovar essa proposta do PDDU.

Fagner Abreu: Se realmente o PDDU for implantado, quais serão as conseqüências?

EA: Para se construir em Salvador, como em qualquer outra cidade, existe uma norma padrão. Com esse PDDU que foi aprovado, as normas como defesa do meio ambiente, patrimônio histórico, foram derrubadas. Nesse ponto de vista, o que vai acontecer de imediato é o seguinte: as áreas verdes da cidade e os recursos naturais serão privatizados. Os grandes empreendimentos imobiliários irão construir condomínios de luxo. Ou seja, a beleza natural de Salvador vai ser privatizada e quem se beneficiará dessa beleza será a população de altíssimo poder aquisitivo. Em determinados lugares da praia vai ser impossível tomar banho de sol. As praias vão ficar sombreadas já que a praia se aproxima das ruas. A ocupação dessa área da cidade vai provocar um adensamento populacional em uma determinada parte da cidade que vai ocasionar um aumento de tráfego, de carros, engarrafamentos.

Fagner Abreu: O portal A Tarde on line (21/01/2008) fez uma matéria apontando que Salvador tem um déficit populacional equivalente a 20 mil. O que faz gerar isso?

EA: O déficit habitacional é maior. Esses 20 mil equivalem ao número de novas pessoas que vêm morar em Salvador. A cidade não está preparada para isso. As áreas de melhor ocupação para moradia foram destinadas para outras finalidades ou para propriedade particular de alguns. A cidade passou 20 anos sem fazer condições habitacionais. Agora que conseguiu fazer, graças a um programa do governo Lula, do Ministério das Cidades, para atingir a população de risco, que estava sem moradia. Esses novos moradores vêm para a cidade devido à falta de oportunidades de emprego, de educação em sua cidade natal. Uma outra razão é que as pessoas vêm pra Salvador devido à beleza, à qualidade de vida.

Fagner Abreu: Como o PDDU vai interferir no bairro do Rio Vermelho?

EA: Se realmente o PDDU for posto em ação, os bairros à beira-mar, como o Rio Vermelho, vão passar por mudanças trágicas nos vetores de moradia. A orla irá mudar suas características com relação aos prédios, que só podem ser construídos até três andares. Irá se beneficiar com a modernização, mas sofrerá o adensamento populacional. E isso não é bom para o bairro, que não conta com estrutura para isso.

Fagner Abreu: Foi o PDDU que mais decepcionou o senhor no governo João Henrique?

EA: O PDDU é uma grande decepção, não só para mim, mas como para toda a população. Eu esperava outra coisa do prefeito João Henrique. Sua trajetória política não ia nessa direção, de fazer todas as concessões para o capital especulativo imobiliário. Não existe justificativa para isso. Espero que seja a última decepção que o povo de Salvador tenha.

Fagner Abreu: Cogita-se que o PCdoB terá candidatura própria para a prefeitura, com a vereadora Olívia Santana. Esta afirmação procede?

EA: O nome da vereadora Olívia Santana foi discutido abertamente pelo partido nas suas últimas conferências. Foi discutido com os aliados e com os movimentos sociais a possibilidade de Salvador ter um novo projeto. E esse novo projeto pra gente é o nome da vereadora Olívia Santana como candidata a prefeita de Salvador.

Fagner Abreu: Sabemos que o PT é um dos principais aliados do PCdoB. E também que o deputado federal Nelson Pelegrino ainda quer se candidatar para a prefeitura. A candidatura da vereadora abala as relações do PCdoB com o PT?

EA: Esta é uma situação normal. O próprio PT avalia isso como normal também. É um direito democrático do PCdoB pleitear uma candidatura própria, mesmo sendo aliado histórico do PT. Isso não tira do PCdoB a autonomia e a independência que ele sempre teve. Acredito que o PT irá apoiar a candidatura da vereadora Olívia Santana.

Fagner Abreu: O senhor sai candidato esse ano?

EA: Vou apresentar a minha candidatura à reeleição. Depende do povo agora.

SAIBA MAIS

Everaldo Augusto é vereador da cidade de Salvador pelo PC do B. Nasceu na cidade de Brumado, interior da Bahia, a 650 km da capital. Participou do movimento secundarista e iniciou a vida de trabalhador aos 18 anos, como auxiliar de operações de auto-fornos na Magnesita, mineradora instalada em sua cidade.
Em 1978 veio para Salvador estudar, atuou no movimento estudantil da capital e fez parte da Diretoria da Confederação Interiorana de Estudantes Secundaristas e Universitários. Foi bancário do antigo Baneb, atual Bradesco, bacharel em Letras, licenciado, é professor da rede pública de ensino e mestre em Literatura Brasileira pela UFBA.

3 comentários:

Grogal disse...

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Anami Brito disse...

Como sempre quem está no poder somente se preocupa com a classe alta. A construção de grandes empreendimentos imoboliários já vinha sendo crescente em Salvador com o PDDU isso só vai aumentar. Querem tirar até a pouca oportunidade de lazer que a população mais carente tem que é ir as praias.

Achei sua matéria muito boa colega!!!
Sucesso!!!

Akinogal disse...

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