PLANTÃO ÚLTIMO SEGUNDO

28 novembro 2006


Terrorismo: Polêmica Mundial

Nos últimos anos, os jornais do mundo inteiro sempre estão noticiando atentados vinculados a grupos terroristas. Sejam eles islâmicos, irlandeses, bascos o fato é que o terrorismo está em evidência. Porém, ninguém entende o porquê, ou melhor, o que leva uma pessoa a se prender com bombas armadas em seu corpo, lançar uma aeronave em edifícios, fazer atentados em escolas matando inúmeras crianças.
Desde o nascimento da humanidade, o homem vem destruindo o homem alegando vários motivos. Fazendo uma cronologia genocida tenta-se demonstrar como o terrorismo nasceu. Durante a Idade Antiga, segundo a escritura bíblica a humanidade matou Jesus Cristo na busca de seus próprios interesses. Durante a Idade Média em nome de Deus a Igreja Católica e as Mesquitas dizimaram milhares de pessoas através das Cruzadas. Com o advento da Idade Moderna a expansão marítima propiciou o genocídio de milhares de civilizações como os Astecas, os Maias, os Incas, os tupis – e a Santa Inquisição impôs sua forma de comandar um povo. E o que falar das duas Grandes Guerras, da bomba de Hiroshima, da Guerra do Vietnã, da Guerra do Golfo, do atentado ao World Trade Center.
Os atos terroristas já vêm acontecendo desde muito tempo. Porém só foi divulgado a partir do momento em que feriu interesses dos “Gigantes Mundiais”, ou seja, as superpotências econômicas. Ninguém sabe o porquê que os palestinos atacam Israel, o porquê que a Al-Qaeda fez com que quatro aeronaves americanas se tornassem verdadeiras bombas aéreas nos Estados Unidos. O porquê do ETA fazer ataques contra a Espanha, o por que do IRA se lançar contra a Irlanda.
A ilha da Irlanda, sob domínio Britânico desde o século XVI, foi integrada ao Reino Unido no começo do século XIX. As lutas pela independência da Ilha intensificaram-se no começo do século XX, culminando com a Constituição do Estado Livre da Irlanda em 1922. Esse Estado, que acabou dando origem a Republica da Irlanda situados na porção sul da ilha era composto e é até hoje na sua maioria Católica Romana. Já a porção norte da ilha continuou anexado ao Reino Unido. Tal situação tornou-se um grave e constante foco de descontentamento para os adeptos da reunificação da Irlanda em especial a minoria católica que se sente discriminada política e economicamente pelos protestantes.
A divergência de posições entre a maioria protestante e a minoria católica acabou determinando a eclosão de uma série de conflitos na Irlanda do Norte. De fato um território ocupado por duas civilizações de etnias diferentes iria chegar ao ponto extremo de divergências, ocasionado uma Guerra Civil. O que de fato aconteceu e ainda acontece em menor escala. Um dos principais motivos desses distúrbios foram as reivindicações da minoria católica por maiores direitos civis, reprimidos com violência pela maioria protestante. Assim surge o IRA – Exercito Republicano Irlandês – braço armado da minoria católica; do outro lado, estava as forças militares britânicas e os protestantes apoiados em suas milícias armadas.
O que há de rancor nacionalista que dividem católicos e protestantes pode ser resumido em três letras: IRA. Surgida em 1969, à organização terrorista dedicou-se a matar civis na Irlanda do Norte e na Inglaterra. Foi no ano de 1984, em um de seus atos mais ousados, explodiu um hotel na tentativa de assassinar a primeira ministra Margareth Thatcher. Em 1991, o primeiro ministro inglês escapou um tiroteio contra Downing Street, residência oficial do chefe inglês. A violência do IRA fez surgir vários outros grupos paramilitares, não maioria protestantes, dispostos a vingar cada vitima com a morte de um cidadão escolhido ao acaso na comunidade rival.
Hoje o IRA depôs suas armas, por pressão americana depois dos atentados ao World Trade Center.
Com isso percebem-se os motivos que leva um povo a fazer justiça com as próprias mãos, porem os fins não justifica os meios, mas é uma tentativa de luta pelos seus ideais, pela proteção de seus direitos.
Assim como na Irlanda, a Espanha também sofre com um grupo separatista. O País Basco ocupa regiões da França e na sua maioria Espanha. Os Bascos lutam por sua independência, por sua autonomia, apresentam idioma, bandeira e representantes políticos oficiais. Porem, o governo espanhol nunca reconheceu a independência do País Basco. Assim surge o ETA, um grupo armado, de ideologia independentista, marxista e revolucionaria que pratica a luta armada como meio para conseguir a independência do País Basco.
É classificado pelos governos da Espanha e França, pela União Européia e pelo governo dos EUA como um grupo terrorista. O ETA iniciou sua luta armada durante a ditadura de Francisco Franco. Desde seu surgimento, mais de 800 mortes já foram causadas em certeza pelo grupo. Em 1995 o ETA tenta assassinar o então líder do Partido de oposição do PP, Jose Luis Ruiz. Ele foi morto perto de sua casa. No outro dia o ETA assumiu a autoria.
No dia 22 de março de 2006 a organização declarou um cessar fogo permanente, que vem sendo cumprido desde o dia 24 de março.
O caso israelense também é de suma importância para a averiguação do terrorismo mundial. Desde a Égira, com a saída dos judeus da região da Palestina, um povo de cultura diferente anexou-se a este lugar até os dias atuais. Os Judeus ficaram espalhados pelo mundo, sem nação. Com o fim da II Guerra Mundial, a ONU formou o Estado de Israel onde hoje é a Palestina e colocou os Judeus e Mulçumanos, povos de culturas e religião diferentes para viver juntos lado a lado. Começa assim uma série de conflitos.
Em 1964 é fundada a Organização para a libertação da Palestina (OLP), presidida por Yasser Arafat. A luta se intensifica quando a OLP instala suas bases no Líbano passando a atacar o território de Israel a partir do sul Libanês.
Mesmo com a criação da OLP, a Palestina não conseguiu sua autonomia. Ariel Sharon, então primeiro ministro de Israel, sanciona uma lei que permite a constituição de um muro que dividia a Cisjordânia e Faixa de Gaza do Estado de Israel. Isso causou uma revolta eminente e vários atentados terroristas foram feitos em ambos os lados. Vários civis mortos.
Quando se fala em terrorismo, assimila-se logo de vez com a imagem da civilização mulçumana devido as facções terroristas ali existentes. São tidos como o grupo do mal. Mas ao longo do crescimento econômico americano, para obter status e poder, os EUA não mediu esforços para atingir seus objetivos passando por cima de tudo e de todos. Será que o massacre ocorrido no Vietnã não foi uma forma de terrorismo? A ajuda que os EUA deram ao Iraque de Saddam Hussein na doação de armas para que invadisse o Irã, não seria uma forma de estimulo ao terrorismo? Ao longo da historia mundial assimilaremos isso para entender o contexto da revolta de determinado povo.
O Hezbollah é outro grupo paramilitar que atua no sul do Líbano e é tido como terrorista. Considerado como um grupo terrorista pelos Estados Unidos e por Israel, contudo esta decisão não é partilhada pela União Européia. Para muitos o Hezbollah é grupo de resistência a Israel.
O Hezbollah nasceu no fim dos anos 70 e tinha como finalidade expulsar as forças israelitas do sul libanês e de estabelecer um estado islâmico no país.
A nível financeiro e de armamentos, o Hezbollah foi apoiado pelo Irã. Mais tarde, passou a ser apoiado pela Síria.
Em 23 de outubro de 1983, dois atentados suicidas contra a força multinacional de interposição fizeram 248 mortes de americanos e 58 mortes de franceses. Os EUA acusam o Hezbollah e o Irã de estarem por trás do atentado. Por isso os EUA vêem o Hezbollah como um mal que tem que ser cortado pela raiz. Mas, o Hezbollah não é só o que a grande imprensa mundial demonstra. Ele desenvolve uma serie de atividades em cinco áreas: ajuda a familiares de mártires, saúde possuindo uma rede de hospitais em todo o Líbano, educação religiosa Xiita, reconstrução e agricultura.
O Hezbollah conta com cinco hospitais, 43 clinicas e duas escolas de enfermagem.
Atualmente o Hezbollah tornou-se manchete no mundo inteiro devido aos ataques de Israel contra o Líbano, sobretudo Beirute, por se sentir ameaçado com a presença armada do Hezbollah.
Porem não é so o Hezbollah o grande mal que os EUA querem cortar pela raiz. Uma outra facção tida como terrorista a Al-Qaeda liderada por Osama Bin Laden, vem sendo perseguida desde os ataques de 11 de setembro em Nova Iorque.
Osama Bin Laden durante a Guerra Fria foi treinado pela CIA, Centro de Inteligência Americano, a fim de expulsar as forças soviéticas do Afeganistão. Porem com a queda da URSS e a possível tomada de poder do Afeganistão pelo Talibã, Osama Bin Laden criou a Al-Qaeda, uma organização islâmica com o propósito de eliminar a influencia de paises estrangeiros em nações islâmicas.
Com sua visão extremamente fundamentalista, e vendo a constante exploração dos EUA nas reservas de Gás do Afeganistão e nas Bacias de Petróleo do Oriente Médio, Osama passou a ver os EUA como o grande Satã e que em nome de Deus (Alá) tinha que destruí-lo. Assim começa a historia dos atentados terroristas assumidos pela Al-Qaeda. Vendo a exploração de um povo, ou melhor de seu povo, por parte de um “gigante” que só pensa em seus ideais, busca de uma forma combater, a forma que lhe convém, que lhe é eficaz.
Com isso a Al-Qaeda começa uma serie de atentados. Em agosto de 1998, após a explosão de duas embaixadas americanas, por dois carros-bomba em cada uma, no Quênia e na Tanzânia, ao ser apontado no mesmo dia pelos EUA como principal suspeito, Bin Laden se tornou um terrorista conhecido rapidamente.
Em 1993, Osama promove o primeiro ataque ao World Trade Center, o símbolo do centro financeiro americano, o seu maior poder, com a explosão de um carro-bomba.
Mas o ataque mais destrutivo cometido por essa organização foi sem duvida o de 11 de setembro de 2001. Bin Laden em seu segundo ataque ao World Trade Center lançou dois aviões da American Air Lines cheio de passageiros. O outro ataque foi ao Pentágono, centro militar americano. A outra aeronave acredita-se que iria atingir a Casa Branca porem caiu no Estado da Pensilvânia.
No dia 11 de março de 2003, Bin Laden explode trens na Espanha com o intuito de forçar o governo espanhol retirar sua forças militares do Iraque.
Michael Sheuer, ex-analista da CIA sobre assuntos terroristas define bem em uma explanação o sentimento islâmico quanto aos EUA: “No qual a Jihad é auto-sustentável, no qual guerreiros islâmicos lutam contra a América com ou sem aliança de Bin-Laden e da Al-Qaeda originaria, e no qual o nome Al-Qaeda traz inspiração para novos ataques internacionais”.
Com o ataque ao WTC os EUA então declara a Guerra contra o Terror, alegando que a “esperança iria vencer o medo”. A primeira vitima foi o Afeganistão. Na incansável busca de George Bush por Osama Bin Laden nas grutas afegãs, vários civis foram mortos. Os bombardeios agravaram a catástrofe humana no Afeganistão, que vinha de um passado de quase três décadas de guerras contínuas com mais de um milhão de mortos. Segundo estimativas independentes, a ofensiva recente matou cerca de 800 civis.
Depois da Guerra do Afeganistão a onda vez foi o Iraque. Bush, alegando que Saddam Hussein possuía armas químicas, contrariou a decisão do Conselho de Segurança da ONU, invadindo o Iraque com a ajuda da Inglaterra e da Espanha através de seus primeiros-ministros Tony Blair e Jose Maria Aznar, respectivamente. Essas armas ate hoje não foram encontradas e Saddam Hussein deposto sendo preso pela Suprema Corte Internacional e condenado a forca recentemente.
A critica internacional diz que a invasão de George Bush ao Iraque foi para possuir e controlar o petróleo da região. Já que o Iraque é o segundo maior produtor do mundo. Propritario da Texaco, Texas Company, grande empresa de prospecção de petróleo do mundo, o Iraque era a sua menina dos olhos. Atualmente não conseguiu controlar o pós-Saddam Hussein, pois os ataques cometidos pela coalizão continuam com plena força, querendo a expulsão das tropas internacionais do país.
E então perguntamos? Será que o terrorismo é o grande mal? Bem sabe-se que os ataques terroristas envolvem pessoas que não tem nada haver com contexto político e bélico, mas se não houvesse uma invasão de privacidade e de controle político por parte de influencias estrangeiros certamente ele não existiria.

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