PLANTÃO ÚLTIMO SEGUNDO

17 fevereiro 2010

Daniela Mercury: Uma odisséia no carnaval 2010

São tantas as homenagens, ou são tantas as emoções, como diz o rei Roberto Carlos?! O ciclo de homenagens começa com Dara, que em Yorubá significa “beleza”- Daniela Mercury compôs para homenagear as mulheres, no CD Sol da Liberdade lançado em 2000. A cada ano a cantora inova seu carnaval, dando jus ao título eterno de rainha do axé. E este ano não foi diferente.

Sábado de carnaval, uma demora, uma agonia, uma espera. Chego ao circuito Barra-Ondina, naquela agonia de procurar o Triatro e não o via. Queria sentir aquela emoção estática, antes da minha musa subir na passarela principal. Queria ver como a orquestra iria se posicionar naquele teatro andante.

Encontro amigos, conversa vai-conversa vem, mas a cabeça, a mente estava sintonizada em apenas um lugar. O que a nossa pequena notável iria aprontar desta vez? E de repente ouço aquela voz, única que arrepia, chamando todos os seus fãs a seguir atrás do nosso “Andarilho Encantado”. A pé ou de caminhão, o coração bateu mais forte. Estava, enfim começando a emoção, o grito de um carnaval, um presente pra todos nos.

Quando chego ao Farol da Barra, lá está ela, vestida de bailarina da caixinha de música, o Triatro com tapumes vermelhos, a Banda Daniela Mercury posicionada em baixo e a Orquestra Neojibá – de artistas infanto-juvenis – regida pelo maestro Ricardo Castro na passarela principal. Daniela estava terminando de apresentar sua música de trabalho, Andarilho Encantado, e em seguida, com um arranjo mesclado entre música clássica e samba-reggae, ela canta Protesto Olodum, começando ali às homenagens a Neguinho do Samba, fundador do samba-reggae. Aquela letra forte, na voz incidental de Daniela e com um acordes de violinos, violoncelos, flauta, dentre outros instrumentos e tocados por crianças, me fez arrepiar todo e mais uma vez eu não me contive. Não somente eu, todos ao meu redor, choravam clamando liberdade ao povo do Pelô. Os camarotes aplaudiram aquela apresentação única no carnaval de Salvador. Era mais uma vez Daniela Mercury, a voz que dança, fazendo história.

A partir daí ela prosseguiu o seu desfile homenageando o samba-reggae, com um batuque negro. E a rainha do Samba-reggae não esqueceu o rei do Pop e trouxe á avenida Don’t care about us na voz de Dani Nascimento. Uma pipoca de luxo, um presente dos deuses.

E por fim Daniela parou no Expresso 2222 e encontrou o seu maestro Gilberto Gil e mais uma vez um show de interpretação. Homenageando Carlinhos Brown, juntos cantaram Sou Faraó e fecharam a participação cantando o Samba da minha terra, samba de benção e Luz de Tieta, reformulada nas cordas da Neojibá.

Que momento único! Com atitudes se transformam as coisas e é assim que Daniela Mercury consegue ser essa “canibalista”, e me remete a uma frase famosa no mundo todo de Antoine de Saint Exupére: “Tu te tornas, eternamente responsável por aquilo que cativas.”

19 outubro 2009

Morre a Mercedes Sosa, a "Voz da America Latina"

Aos 74 anos, morreu neste domingo a cantora argentina Mercedes Sosa, em Buenos Aires. A artista foi internada há três semanas por causa de um problema renal. Seu estado de saúde piorou com mais complicações hepáticas e pulmonares. Nos últimos dias, foi mantida sedada, respirando com a ajuda de aparelhos.

O corpo de Mercedes Sosa está sendo velado no Congresso Nacional, em Buenos Aires, e será cremado no cemitério de La Chacarita nesta segunda-feira. Uma parte de cinzas será espalhada em sua província natal, Tucumán, no norte do país. Outra parte será colocada em Mendoza, província a qual a cantora declarou grande amor. O restante das cinzas permanecerá na capital argentina, cidade onde morava há décadas.
Mercedes Sosa trabalhou intensamente até poucas semanas atrás. No ano passado, havia sustentado que continuaria cantando "até os últimos dias" da vida, tal como uma cigarra. A intérprete havia sido internada no dia 18 de setembro na clínica de la Trinidad, no bairro de Palermo.
Vínculo forte com brasileiros - Mercedes Sosa possuía um vínculo especial com o Brasil, país onde esteve dezenas de vezes e possuía muitos amigos. Com vários deles protagonizou duetos que entraram para a história da música latino-americana. Entre as parcerias, cantou com Chico Buarque, Milton Nascimento, Gal Costa, Beth Carvalho e Maria Rita.Último trabalho de Mercedes Sosa, o álbum duplo "Cantora", com participação dos baianos Caetano Veloso e Daniela Mercury, entre outros músicos, como Joan Manuel Serrat e Shakira, concorre a três prêmios do Grammy Latino de 2009. "Mercedes era uma querida, pessoa amável, doce, carinhosa. Uma mulher e uma intérprete extraordinária, sem dúvida um ícone da música da América Latina. Ela é uma referência como intérprete. Amo as canções que gravou, daquela maneira visceral. Acabei absorvendo muito sua postura de luta pela liberdade. É inquestionável a beleza e a importância dessa mulher e de seu repertório extraordinário", disse Daniela Mercury, amiga há anos da argentina e com quem interpretou "O que Será", de Chico Buarque.Shakira também analisou o legado de Mercedes Sosa pela mesma linha. "Ela deixa o mundo cheio de seus cantos, povoado de seus versos. Mercedes foi a voz maior e teve o maior coração para quem sofre. Foi a voz de seus irmãos da terra que elevou o canto da dor e da justiça. Sofreu o exílio, dando exemplo de coragem, e voltou com naturalidade a seu lugar de escolhida. Ela nos deixa a simplicidade de seu gesto e de sua dança, e a luz de sua palavra e de seu afeto", disse a cantora colombiana. A baiana Márcia Castro participou do último show de Mercedes Sosa em Salvador e lamentou muito a morte da colega. "Ninguém estava esperando, foi algo que pegou a todos de surpresa. Ela não estava legal já há algum tempo, mas, como tinha se recuperado de outras vezes, achei que fosse passar por mais essa. Infelizmente, isso não aconteceu. Ela foi uma das cantoras, das artistas mais generosas que conheci. Vivia música 24 horas por dia, acordava cantando, ia dormir cantando, se gostasse de uma música pedia para que a gente cantasse com ela. Era generosa, materna... Foi uma felicidade fazer com ela o último show em Salvador. Fizemos 11 shows entre outubro e novembro. Neste em Salvador, ela estava feliz, foi a única vez que me chamou para voltar ao palco, foi um presente para mim. Escuto Mercedes Sosa desde a adolescência, nunca imaginei que tocaríamos juntas, nem nestes shows nem na primeira vez. Foi dia 9 de julho de 2008, seu aniversário de 73 anos, em Roma. Fui com meu ex-empresário assistir à passagem de som. Ele e ela eram bem próximos. Já nos conhecíamos de São Paulo, tinha ido ao camarim dela, não imaginava que aconteceria isso. Ela disse: Márcia, você não quer cantar comigo 'Insensatez' e eu disse: 'Mercedes, eu não tenho roupa'. E ela, naquela generosidade grande me emprestou um daqueles xales grandões e nós cantamos no Teatro Santa Cecília, em Roma. Eu tinha até planos de visitá-la esse ano, ir a Buenos Aires, dar uma força...”.

Prisão durante show - A argentina Mercedes Sosa, apelidada por alguns de "A voz da América Latina", deixa aos 74 anos uma obra vasta e de forte temática social, após uma vida de resistência política misturada ao romantismo, com dezenas de parcerias importantes. Nascida em 1935 em Tucumán, no norte da Argentina, teve origem humilde e gostava desde cedo de interpretar canções folclóricas. Aos 15 anos, participou de um concurso de uma rádio com um grupo, quando a afinada cantora se destacou. O prêmio pela vitória foi um contrato de dois meses com uma emissora. Era o início da carreira.Na década de 1960, Mercedes participou do Movimento do Novo Cancioneiro, surgido em Mendoza e centrado na música popular latino-americana, com ênfase no componente social. Além de obter sucesso na Argentina, a artista ganhou palcos pelas Américas e também na Europa.A temática social e a ligação com a esquerda lhe renderam também dissabores. Em 1979, um show da artista foi invadido pelos militares, durante a ditadura argentina (1976-83). Não apenas ela foi presa, mas inclusive o público presente. Naquele mesmo ano, Mercedes decidiu se exilar."La Negra", como também era conhecida, voltou à Argentina em 1982, na fase final da ditadura. Na década de 1980, Mercedes realizou trabalhos em parceria com Milton Nascimento. Entre os brasileiros que também cantaram com ela estão ainda Caetano Velloso e Daniela Mercury.Na reta final, Mercedes ainda encontrava reconhecimento do público e da crítica. Seu último álbum, "Cantora 1", alcançou boa vendagem e foi indicado a três prêmios no Grammy Latino, com entrega marcada para 5 de novembro em Las Vegas. Entre os parceiros deste último trabalho estão artistas como Shakira, Fito Páez e Joaquín Sabina.Gracias a la vida/que me ha dado tanto...", a canção de Violeta Parra, considerada uma das fundadoras da música popular do Chile, ganhou versão definitiva na voz de Mercedes Sosa.

Fonte: A TARDE

09 setembro 2009

Lula e o Prêmio Nobel da Paz


Há alguns dias o presidente da República brasileira, Luís Inácio Lula da Silva, foi agraciado com o Prêmio de Fomento da Paz Félix Houphouët-Boigny. O prêmio, quase completamente desconhecido do grande público, aponta para outra possibilidade, a de que Lula venha receber em outubro próximo o Prêmio Nobel da Paz, este sim, conhecido e reconhecido por todos. Receber um e, meses depois, receber o outro não é novidade. Nelson Mandela, Shimon Peres, Yasser Arafat e Jimmy Carter são exemplos de personagens que viveram a notável experiência.

E, efetivamente, Lula está mesmo concorrendo ao Prêmio Nobel: o norueguês Stein Tonnesson, diretor do Instituto Internacional para a Investigação da Paz, confirmou a indicação do presidente do Brasil. A forte candidatura de Lula advém de seu trabalho em prol do diálogo, da democracia, da justiça social, da igualdade de direitos, da erradicação da pobreza, da proteção dos direitos das minorias e da luta contra a escravidão.

Examinemos de perto algumas dessas questões. Quando Lula assumiu a Presidência da República, o salário mínimo era de 56 dólares americanos e hoje passa dos 200. Diante de qualquer conta, a diferença entre o antes e o depois neste quesito é enorme. Segundo o Conselho Federal de Economia (Cofecon) cerca de 65% dos benefícios pagos pela Previdência são no valor de um salário mínimo. São milhões de aposentados que tiveram um aumento real de sua pensão de, no mínimo, 48% nos últimos anos, significando uma melhoria substancial na qualidade de vida dessas pessoas. E como na nossa sociedade os laços de parentesco ainda são importantes, é comum ver um aposentado usar parte deste ganho para pagar um curso de inglês, de informática ou seja lá do que for para um neto ou parente próximo, abrindo novas perspectivas de futuro para os mais jovens. Enfim, o aumento vertiginoso (porém responsável) do salário mínimo tem contribuído de maneira indiscutível para a erradicação da pobreza no País.

Na luta contra a escravidão, ainda em 2003, no primeiro ano do governo Lula, foi feito o Plano Federal pela Erradicação do Trabalho Escravo, e o problema finalmente entrou na agenda nacional. O trabalho escravo, como se sabe, foi proibido no Brasil em 1888 com a Lei Áurea, mas jamais foi totalmente erradicado. A mentalidade escravista, o mandonismo no campo, o desrespeito ao outro e governos desinteressados em combater o problema contribuíram para que a escravidão adentrasse o século 21 em nosso país. Fazendas, olarias e fábricas de carvão são os principais espaços em que se encontra tal absurdo. Na luta contra esse mal, o governo tem usado de vários artifícios. Entre eles criou-se uma “lista suja” com os nomes de fazendeiros que usaram trabalho escravo. Com o nome na lista, esses “senhores de escravos” ficam impossibilitados de conseguir créditos públicos e são vetados por diversas empresas em qualquer transação econômica. Em termos numéricos, só nos três primeiros anos do governo Lula foram libertados mais de 9 mil escravos. No ano passado (2008), só no Estado de Goiás, foram libertados mais de 800.

Em se tratando de igualdade de direitos, enfatizaria o direito à qualificação profissional, destacando aqui os amplos programas de inclusão ao ensino superior traçados pelo governo Lula. Entre eles destacaria o Programa Universidade para Todos (ProUni), o qual concede bolsa integral ou parcial para alunos carentes (com renda familiar de até três salários mínimos) em universidade privadas. O programa entre 2005 e 2008 beneficiou 385 mil estudantes. Além do ProUni, poderíamos lembrar também do programa de reestruturação e expansão das universidades federais (Reuni), ampliando as vagas no ensino superior e abrindo caminho para setores até então excluídos da universidade pública ter acesso a uma formação profissional e cultural de qualidade.

Os argumentos em prol do Lula Nobel da Paz poderiam continuar sendo narrados longamente, mas vamos nos deter por aqui e pensar em outro ponto da questão. Alguns brasileiros continuam não levando Lula a sério e, mais que isso, nutrindo ódio irreprimível ao futuro Nobel da Paz (ao que tudo indica). Perguntaria: quem são esses brasileiros? Poderíamos detectar sem muito esforço, a grosso modo, como pertencentes à ala mais inculta da camada média de nossa sociedade, também evidentemente os raivosos coronéis-fazendeiros e, claro, o tucanato paulistano. Outra pergunta que faríamos é: qual o motivo de tanta aversão ao tão bem-sucedido presidente operário? A resposta a essa outra pergunta demandaria um esforço maior e pretendo apenas apontar uma suposição geral e uma hipótese.

A suposição geral e já bastante compartilhada é a de que os indivíduos que nutrem essa citada aversão a Lula compartilham de atávico preconceito social. Esses setores da “elite” brasileira podem até gostar e simpatizar com indivíduos de baixa origem social, desde que eles se mantenham sem poder, sem status, sem conhecimento e sem reconhecimento, sem-terra ou sem-teto. É comum um fazendeiro gostar de um peão dele, até admirá-lo de alguma forma, mas que ele permaneça peão, longe da casa grande; é comum uma senhora simpatizar com sua empregada doméstica, mas que ela permaneça na cozinha. Lula, homem oriundo de camadas populares, cruzou a fronteira e foi bem mais longe que mesmo o príncipe do tucanato, Fernando Henrique Cardoso, jamais sonhou ir. Luís Inácio se destaca na cena internacional, tem uma popularidade incomparável depois de mais de seis anos na presidência e torna-se, suponha... Nobel da Paz! É muito para os grupos que se imaginam elite (não falo aqui de uma elite intelectual) e nutrem tão forte preconceito social. E, diga-se, preconceito mais forte que o racismo sul-africano, pois os brancos da África do Sul admiram Nelson Mandela e conseguem ver a estatura política de seu Nobel da Paz.

E agora concluiremos com a hipótese que alimento como parte da resposta à segunda pergunta feita acima, ou seja, o que explicaria a aversão ao Lula. Suponho que esses indivíduos que tanto detestam o nosso operário presidente são contra o fim da escravidão, contra as políticas de inclusão racial e social, contra a erradicação da pobreza, contra os direitos das minorias, contra a justiça social, contra a democracia, enfim, contra todos os valores civilizadores. No entanto, em pleno século 21, no ocidente, não é possível ninguém se colocar contra essas citadas questões de maneira explícita e consciente e é aí que se opera o nosso debatido fenômeno: os que detestam Lula não podem se opor abertamente à luta pelas conquistas do mundo civilizado e, inconscientemente, transferem para o homem símbolo de tal luta (Lula) todo o ódio que nutrem por essas conquistas, já que amam – mesmo que inconscientemente – o mundo com escravos, pobres, o mundo sem direitos de minorias e sem direitos humanos.


Rogério Lustosa Victor é doutorando em História pela Universidade Federal de Goiás

14 maio 2009

Análise semiótica

Quero tentar fazer uma análise semiotica entre a capa de dois filmes. Um é o SEGREDO DO BROKEBACK MOUNTAIN, de Ang Lee; o outro é o brasileiro que vai estrear em agosto de 2009 denominado DO COMEÇO AO FIM, de Aluizio Abranches.
















O premiado BrokeBack Mountain conta a historia de dois cowboys que se apaixona incondicionalmente, ultrapassando fronteiras de uma criação puritana, interiorana dos Estados Unidos da América.

O filme brasileiro apesar de ter a temática homossexual, aborda porém um novo tabu na sociedade mundial, que é o incesto. Como um irmão pode se apaixonar por outro?

A resposta para esses tabus estão no intertitulo de Brokeback Mountain e em um trecho de Do Começo ao Fim.

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN: "O amor é a força da natureza"

DO COMEÇO AO FIM:

_ Eu te amo
_ E por que você me ama?
_ Eu te amo porque você é meu. Eu te amo porque você precisa de amor!
_ Eu também te amo!
_ E por que que você também me ama?
_ Eu te amo porque... para entender o nosso amor vai ser preciso virar o mundo de cabeça para baixo.









22 abril 2009

Faço meu próprio discurso

Vivemos em uma Era em que o discurso tornou-se forte a ponto de talvez manipular as atitudes das pessoas. Em 2009 anos da Era Cristã, no mundo ocidental, a discursão em torno do que é certo e o que é errado, o que pode ser feito e o que não pode, deveres subordinados a uma instituição que acha que tem o direito de julgar as atitudes das pessoas, vem quebrando paradigmas que há pouco tempo atrás jamais pensaríamos que seria feito.

Recentemente a Igreja Católica Apostólica Romana, entidade criada pouco antes da Idade Média, com o intuito de explicar e coordenar a vida das pessoas excomungou uma família e os médicos de um hospital em Recife quando foi feito um aborto em uma criança – grávida de gêmeos – fruto de abuso sexual infantil, a pedofilia.

Esta entidade secular, que entra Papa e sai Papa, continua com o mesmo pensamento da era da inquisição.Ao defender a vida, queria por em risco a vida da mãe dos bebês, uma criança de nove anos. Com um discurso inflamado e ignorante, o bispo de Recife, excomungou toda a família, discurso que pode ter sido colocado na cabeça de algumas pessoas e que, ao lado do Santo Padre, pode ter influenciado algumas pessoas a pensar igual. Lendo Michel Foucault passei a perceber o quanto falar pode ser perigoso.

Foucault diz que o discurso está na ordem das leis; que há muito tempo se cuida de sua aparição; que lhe foi preparado um lugar que o honra, mas o desarma. E concordo plenamente com ele. Exemplifico essa passagem dizendo que em muito fácil condenar uma pessoa, apontar o dedo, sem olhar para si mesmo, e que o mesmo pode acontecer consigo. Os políticos, por exemplo, costumam chamar um ao outro de corrupto, de ladrão, desonesto. Lembro-me agora de um caso peculiar do Senado brasileiro, quando Antonio Carlos Magalhães, presidente da Casa, acusou o senador Jader Barbalho (PMDB-Pará) de corrupto, devido a denuncia ocorrida na Superintendência de Desenvolvimento do Amazonas (SUDAM). Este mesmo político, poucos dias depois, foi acusado burlar o painel eletrônico de votação do senado, (votação secreta) e fazer chantagem com a senadora do PT Heloísa Helena.

Aplicando Foucault para os dias atuais trago o tabu do objeto ao analisar o filme Alexandre, um filme de Oliver Stone. Na Grécia antiga, homem dormir com homem, o homem beijar a boca do homem, um homem poder amar outro homem era comum e não era condenado pela sociedade. Alexandre era apaixonado por Heféstion e segundo Ptolomeu ele jamais foi derrotado, exceto pelas coxas de Heféstion. Exemplifico um dos procedimentos de exclusão ao analisar o comportamento de minha avó ao ver uma passagem do filme quando o professor de Alexandre fala sobre o amor de Aquiles por Pátroclo e termina dizendo: “Quando homens se deitam juntos por luxúria estão se rendendo as paixões e nada acrescenta para a nossa excelência. Mas quando os homens se deitam juntos e trocam conhecimento e virtude, isto é puro e excelente. Quando eles competem para obter o melhor um do outro esse é o amor entre os homens que pode construir uma cidade-estado e nos tirar dessa vida desta vida medíocre.” Minha avó se recusou a assistir ao filme induzida por uma realidade vivida por ela em que o homem nasceu para a mulher e vice-versa. Não se eu é que estou velho ou se Foucault enxergou muito tempo adiante quando fazia seus discursos.

José Saramago, ao iniciar o livro Ensaio Sobre a Cegueira, diz: “Se tem olhos ver. Se ver, repare”. Muitos de nós não enxergamos a nossa própria realidade, o que nos esta em volta devido a um discurso em que os oprimidos, os pobres, os fedorentos são os excluídos da sociedade e nada podemos fazer para reverter. Será?!

O discurso que remete a sexualidade ainda é um tabu a ser quebrado. Foucault diz em a Ordem do Discurso, que o discurso está longe de ser esse elemento neutro ou transparente no qual a sexualidade desarma e a política se pacifica.
Na era Cristã, a sexualidade é reprimida. O prazer é proibido, seja ele qual for. O homem não conhece seu próprio corpo. Voltando a Igreja Católica, a verdade defendida por ela para se chegar ao reino dos Céus, acaba revelando um Deus malvado e que o castigo é a única forma de punição, tendo em vista a busca do prazer.

Esse paradigma quebra quando os renascentistas fazem uma revolução na Idade Moderna. Foucault diz que a vontade de saber o que prescrevia o nível técnico do qual deveriam investir-se os conhecimentos para serem verificáveis e úteis começa a partir da grande divisão platônica, a vontade da verdade tivesse sua própria história (...). O filme o Código daVinci mostra uma outra verdade sobre a vida de Jesus que muitos acreditam. E não penso que tenha que ser condenado. Cada um aceita, cada um faz o seu discurso.

14 abril 2009

Sociedade Hipocrita ou hipocrita sociedade?

Ser homossexual em qualquer lugar é motivo de piadinhas, de brincadeiras fúteis na maioria das vezes de baixo calão.Muitas das vezes esse tipo de ironia sarcástica acontece na própria família que não aceita que o filho ou filha possam assumir sua identidade sexual contraria ao que a sociedade determina como padrão.
Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra homossexual significa o individuo que pratica ou tem afinidade sexual com indivíduos do mesmo sexo. O gay, seja ele masculino ou feminino, sente prazer em esta próximo intimamente com indivíduos iguais fisicamente.Mas se assumir gay ou lésbica perante a sociedade não é fácil. Com uma visão antiquada, voltada a doutrina religiosa e patriarcal, a sociedade não aceita a comunhão gay. Alega que Deus fez o homem para a mulher e vice versa, pois somente assim haverá amor e ocorrerá a perpetuação da espécie.

As atitudes hipócritas de determinados conjuntos de indivíduos, deixa claro o quanto o homossexualismo é repudiado. Expressões com “viado tem que apanhar para aprender ser homem”, é dita corriqueiramente. Travestis, gays, transformistas, são objetos de abusos físicos e morais nos guetos e ruas dos grandes centros urbanos.

A equidade, ou seja, o sentimento de justiça que impõe o reconhecimento dos direitos de cada um, ou um critério de julgamento legal, é motivo de luta do mundo homossexual. Ter o direito de ir e vir, de freqüentar os lugares com liberdade, de expressar seus sentimentos sem ser coibido pela sociedade é motivo de luta para os gays do mundo todo. Porem, paira uma pergunta: Desde quando há repudio aos gays na sociedade?

Sabe-se que Alexandre, O Grande imperador do reino da Macedônia era homossexual e o reino a quem ele dominava, aceitava sem haver repressão. A pratica homossexual entre os samurais chineses era na aceita no meio, como um fato corriqueiro. Porem com o advento do Cristianismo estimulado pela Igreja Católica Romana, os relacionamentos gays começaram a ser condenados. Eram tidas com transigências demoníacas e que tinha que ser abolidas.

Assim a Sociedade Ocidental, passou por uma lavagem cerebral, por parte daqueles que se diziam donos da veracidade. Transformaram-se em verdadeiras detentoras da hipocrisia, falsidades, demagogia, fascistas. As pessoas passaram a perder cada vez mais os seus direitos e ganhar mais deveres.

O Vaticano condena o homossexualismo. A felicidade das pessoas não interessa, o que verdadeiramente importa é o caminho que tem que ser trilhado para a salvação, se é que ela realmente existe. Mas eles, as vitimas do terrorismo moral, vem lutando em busca dois seus direitos legais. Não através de pálidas atitudes, aquelas a serem aprovadas com Congresso Nacional. Mas sim, em grandes e verdadeiras marchas em prol da luta aos seus direitos, ao livre arbítrio em todo o mundo denominado de “Parada Gay”.

Eles estão tendo mais facilidade de conversar com as suas famílias sem ter o medo. Se assumir gay perante os pais ainda é difícil, mas já está começando a aparecer uma luz no final do túnel. Muitas mães e pais já estão aceitando as características, a opção sexual de seus filhos.Laura Finocchiaro, cantora bissexual, autora do “Hino à Diversidade” tema da ultima Parada Gay de São Paulo, diz que “todos os homossexuais – masculino ou feminino – para serem aceitos tem que sair do armário. Fora do palco isso já virou regra.” Para ela não adianta esconder sua opção sexual, pois a felicidade não virá. Para o gay ser aceito ele tem que se aceitar.A saciedade tem que deixar de lado, a idéia antiquada que ser gay é uma doença, ou então uma fase passageira da adolescência. O homossexual tem o direito de amar e ser amado, respeitar e der respeitado.Para finalizar, nada melhor que um trecho do “Hino à Diversidade” de Laura Finocchiaro que cita de forma clara, singela e culta que todos somos iguais e que a vontade de “abraçar”, “acolher” as diferenças do próximo é de grande valia pra o intelecto dos indivíduos. “Abrace a diferença/viver é diferente/ se a gente diz que é gente/ não tem o que nos vença.”

07 abril 2009

Projeto quer revitalizar a Mata Atlantica

A Mata Atlantica, que contém a maior diversidade em flora e fauna do mundo, finalmente será restaurada. Organizações ambientalistas resolveram, de fato, olhar para o prejuizo que é a crescente destruição da Floresta.

O projeto pretende restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlantica até 2050, o equivalente a 1/4 do território da Bahia. É uma iniciativa muito boa tendo em vista a area original que ainda esta preservada. Porém é muito pouco tendo em vista a area natural da Mata Atlantica. Esta iniciativa irá restaurar 20% do que ainda existe. Mas ao meu ver é muito pouco tendo em vista que o projeto irá durar 40 anos.


A floresta tem que começar a ser preservada principalmente nos espaços urbanos. Salvador por exemplo é uma das maiores cidades do país que ainda existe a Mata Atlantica preservada. Mas, a região da Avenida Paralela, local com maior concentraçao da vegetação, está sendo invadida por grandes centros imobiliarios destruindo assim o que ainda resta da Mata Atlantica.


Pode se fazer o melhor projeto de reflorestamento mas se não houver um politica de educação ambiental, o trabalho feito será em vão.

03 abril 2009

Ilê Ayê perde um dos seus fundadores

Hoje a Associação Cultural Ilê Aiyê ficou de luto com a morte de Jonatas Conceição, diretor da entidade, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia (MNU) e professor da Universidade do Estado da Bahia/UNEB.

Conceição sempre foi ligado à questão sócio-educacional. Um dos responsáveis pela implantação do Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê, que tem como objetivo qualificar a educação dos jovens negros baianos contribuindo também para a elevação de sua auto-estima.

Sem duvida nenhuma é um grande perda para as lutas sociais. Jonatas Conceição lutava pela inserção da igualdade para o povo negro procurando deixar de lado as separações. Conceição com suas ideologias deixa com um legado muito importante para a fixação da identidade negra na Bahia e no Brasil.

Jonatas era Professor da UNEB, onde lecionava no curso de Letras Vernáculas, no Campus de Euclides da Cunha. Foi roteirista de programas educativos da Rádio Educadora FM e coordenador de produção do programa radiofônico Tambores da Liberdade, voltado para a cultura afro-descendente. Como escritor e poeta ativista, mostrava, com sua arte, os traços da Literatura Negra. Publicou, em 1984, o livro Miragem de Engenho; em 1989, o livro Outras Miragens; em 1992, escreveu o ensaio “Reflexões sobre o Ensino de Português para a Escola Comunitária”.

Jonatas Conceição nasceu em 8 de dezembro de 1952. O seu sepultamento será às 16 horas desta sexta-feira, dia 3 de abril, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.

31 março 2009

Gênio da literatura não vai mais escrever

O escritor Colombiano Gael García Marques, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, não voltará mais a escrever. García Marques, 82 anos, autor de vários livros dentre eles "Cem anos de solidão", afirmou durante a Feira do Livro de Guadalajara no mês passado declarou que escrever livros da trabalho.

A agente literária Carmen Barcells já estava prevendo esse fato. "Acho que Garcia Marques não voltará a escrever mais", disse ao jornal chileno La Tercera. Ela assegurou que o autor representa cerca de 36,2% do faturamento de sua agencia literária.


O escritor Gerald Martin, autor da única biografia de Gabriel García Marques, se diz concordar a agente literária. Mas ele ressalta que o escritor tem livros prontos guardados mas não sabe serão publicados.


Se de fato, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, abandonar a escrita iremos perder um dos maiores escritores do mundo. Jornalista, ativista político e cineasta o escritor contribuiu muito para que o mundo mirasse seus olhos para o sul, em especial para a América do Sul. Depois de Pablo Neruda e suas metáforas vejo García Marques como criador do realismo mágico.

24 março 2009

Vigilantes caminham por melhores salários

Vigilantes e seguranças de toda a cidade saíram em passeata pelas ruas de Salvador reivindicando um reajuste salarial e benefícios como alimentação e seguro de vida. A manifestação saiu do Comércio, na Avenida Estados Unidos, em direção a Avenida ACM, no Iguatemi.
A classe solicita aos patrões um aumento de 6,36% sobre o salário – que atualmente é de R$ 550, um ganho real de 12% baseado no crescimento do setor da segurança privada. Outra exigência é aumento no ticket alimentação no valor de R$ 10 (atualmente é de R$ 5,50). Eles pedem um adicional de 30% por risco de vida.
Os seguranças e vigilantes são pessoas que vivem constantemente em perigo. Um salário no valor atual leva a uma desvalorização do profissional devido ao grau de periculosidade. O ticket alimentação é um desrespeito ao trabalhador, tendo em vista que, um Prato Feito (popular P.F.) está no valor de R$ 6, ou seja, os trabalhadores tem que contribuir com R$ 0,50 a mais.
Agora é aguardar pra ver qual o resultado será. Se a passeata de cerca de 10 quilômetros terá êxito ou tudo acabará em pizza.

Novo Jornalista mais opininativo

Caros leitores do Espaço Novo Jornalista. Nesse semestre o nosso blog será atualizado mais constantemente, com textos opinativos mas também com nossas reportagens, entrevistas e crônicas que é a principal característica de nosso site.

Então amigos, vamos nos deliciar em uma gostosa leitura.

04 março 2009

Muito bacana, muito legal: Bué da Fixe

De uma hora para outra, as rádios de Salvador começaram a tocar “o som que vem da rua”, uma música de um grupo denominado Bué da Fixe. As pessoas se perguntavam o que significava o nome dessa banda e de onde surgiu. Com cara de menino, mas com uma força de vontade enorme de vencer no seu projeto, a banda Bué da Fixe, Allan Spínola, uma das revelações do Carnaval de Salvador deste ano, conta a Fagner Abreu, do Folha Salvador, o significado do nome da banda, como ele se descobriu cantor e os projetos para o futuro. Com apenas 25 anos - 14 destes dedicados à música – Allan, com seu timbre forte e grande carisma está prestes a se tornar uma estrela da chamada Axé Music.

Folha Salvador - Allan, desde muito pequeno você já se interessava pela música. Seu começo foi cantando em um coral da Igreja Batista. Como foi o período de transição para a axé music?

Allan Spínola – Curuminhoo... Sempre me imaginava cantando e essas imagens sempre foram eu estar cantando em cima de um trio elétrico. Então, acho que não mudou nada, pelo menos no meu interior, no meu coração lá dentro e fora. No banheiro (risos) sempre fui cantor de axé.

FS - Você disse uma vez que desafinava em casa para que a família não descobrisse que cantava bem. Seus pais não queriam cantores na família?

AS - Muito pelo contrário. Eles, quando descobriram, ficaram bué felizes. Eu que tinha vergonha mesmo.

FS - Foi na missa de sétimo dia de seu tio que você mostrou o seu verdadeiro dom, não foi isso?

AS - Até então só meus amigos sabiam que eu tinha jeito para a música. Eu sou muito tímido e até para cantar para eles, eu tinha que estar tomando umas ( bebida alcoólica). Em 2002, morreu o meu tio e resolvi cantar uma música gospel na missa de sétimo dia. Foi uma surpresa para todos e foi linda a homenagem. Depois disso, uns primos me convidaram para cantar em um grupo de samba. Durou pouco tempo porque eu tinha 18 anos e era muito verde e tímido para estar a frente de uma banda. Por isso saí.

FS - Você chegou a integrar um grupo de samba e em 2004 foi back vocal de uma banda de axé. Que banda foi essa?

AS - Em 2004, eu vi um anúncio no jornal “precisa-se de backing vocal para banda de axé”. Corri para ligar e o cara disse que eu tinha que mandar, por e-mail, umas fotos e áudios para mostrar o meu trabalho. Era tanta coisa, que falei para ele que não tinha acesso a Internet para enviar o que ele queria, mas poderia cantar ao telefone. Depois disso, ele mandou eu ir fazer um teste e fiquei na Banda Balada Nova, por seis meses.

FS - E sua estada em Portugal, como foi? Foi lá que você conseguiu formar a Bué da Fixe, não é isso?

AS - Fui para Lisboa trabalhar em uma loja de antiguidades. Depois de um tempo passei a frequentar barzinhos e conheci vários brasileiros que faziam som nesses bares e todas as sextas-feiras, à noite, eu ía “dar canjas” com eles. Depois de um tempo, montamos “Os Bué da Fixe”. Éramos cinco integrantes e não era nada parecido com a banda atual Bué da Fixe. A sorte caiu sobre a gente quando, meu chefe da loja de antiguidades, me perguntou o que eu iria fazer com o dinheiro que juntava. Eu respondi que voltaria ao Brasil para comprar uma casa e montar uma banda de axé porque era o meu sonho e que axé só dava certo se fosse em Salvador. Acho que ele teve pena, sei lá; Deus tocou o coração dele e ele foi nos assistir. Gostou muito e resolveu apostar, mas tinha o prazo de um ano para ajeitar a vida e os negócios dele por lá. Enquanto não voltava, fui me preparando. Fiz aulas de canto até voltar para o Brasil.

FS - Está sendo muito difícil entrar no mercado concorrido da axé music?

AS - Graças a Deus, 2008 foi um ano que aconteceu muita coisa boa com a Bué da Fixe. A nossa música foi uma das mais tocadas no verão. No Carnaval as pessoas responderam muito bem à nossa música. Muita gente mal conhecia a banda e mesmo assim transmitia para a gente muito carinho e estou muito feliz. Acho que as coisas estão acontecendo devagar e vai acontecer mais na hora certa. É difícil e é trabalhoso, mas não é impossível .

FS - Você esse ano cantou no maior festival de música do país, o Festival de Verão Salvador. A partir daí você acredita que a banda criou maturidade pra enfrentar o carnaval?

AS - Acho que sim! Não só o Festival, mas também os ensaios na boate Madrre serviram como um pré-vestibular. Eu fui me conhecendo cada vez mais, me descobrindo como artista. Comecei a testar o que poderia dar certo no repertório e perceber o que a galera mais gostava de escutar. Sempre um ensaio melhor que o outro. A casa lotava. Depois fui ao Festival de Verão que serviu como ensaio geral da banda, com um público diferente do que eu estava acostumado na Madrre. Comecei o show com 50 pessoas mais ou menos e de repente a Arena Conta Universitária Bradesco estava completamente lotada. Havia ali umas 2500 pessoas. A partir desse momento, eu pude sentir o calor do público. Foi resposta o tempo inteiro. Aquele público me surpreendeu de verdade. Eu pude ver que, a Bué da Fixe, já era querida. Tudo isso me deu mais maturidade e forças para encarar o carnaval.

FS - A banda tem apenas oito meses de formação e você já conseguiu grande êxito. Foi eleito pelas rádios o melhor cantor revelação deste ano e está concorrendo ao Dodô e Osmar, e como forte candidato. Como você se sente prestes a ganhar projeção nacional e qual foi a sensação de subir em um trio elétrico, agora como líder de uma banda?

AS - Quando eu subi no trio foi maravilhoso. Acho que a ficha ainda não caiu e muita coisa boa aconteceu nos dias de Carnaval. Recebi muito carinho de todo mundo (minha família, meus amigos, pessoas que apreciam o nosso trabalho, da minha banda, dos meus produtores, de artistas já consagrados como Saulo da Banda Eva, que cantou comigo na Casa D’Itália, de Serginho Fernandes que cantou a minha música, Marcio Vítor, que também cantou “O som que vem da rua”, Alexandre Peixe, que me cumprimentou duas vezes e me viu quando ele passou no trio). Ivete Sangalo, Tatau e Tonho Matéria também falaram comigo. Foi tudo lindo, foi perfeito e até hoje não durmo direito (risos). Tudo isso é o que eu mais quero na minha vida. Ser reconhecido pelo meu trabalho. Aliás, todas as pessoas querem que o seu trabalho seja conhecido por toda parte e por toda gente, não é? Estou muito feliz com tudo isso e quero dizer para as pessoas que isso é resultado de um sonho e de muito trabalho. Nós estamos começando agora, ainda sou um “bebê” e tenho muito ainda para aprender e... é isso aí.

FS - Já falamos de Bué da Fixe, mas o que significa o nome da banda?

AS - Bué da Fixe significa muito bacana, muito legal, coisa muito boa. Bué significa muito, e Fixe legal. É uma gíria da galera de Portugal.

FS - O que podemos esperar do grupo e do vocalista Allan Spínola daqui pra frente?

AS - Música boa, bons shows e amor em tudo o que partir de mim e da Bué da Fixe.

publicado no Folha Salvador.

12 dezembro 2008

Unificação Ortográfica reflete relações de poder entre países, afirma especialista

“Não há porque seguir alimentando a idéia tacanha e colonialista de que os portugueses são os ‘donos do idioma’ e que nós, brasileiros, temos de nos submeter às decisões deles porque usamos uma língua ‘emprestada’ e, para piorar, a deturpamos toda”. Quem dispara essa defesa ácida – em um português muitíssimo claro – é o lingüista e professor da Universidade de Brasília (UnB), autor de “O preconceito linguístico”, Marcos Bagno, em depoimento ao Folha Salvador. O acordo ortográfico, em vigor a partir de janeiro, interfere diretamente sobre os 230 milhões de falantes do idioma no mundo.


Indignado ao ouvir a expressão “unificação da língua portuguesa”, Bagno salienta que o pacto altera exclusivamente as normas ortográficas, mas não extingue a variedade fonética. “Os brasileiros não vão passar a falar como os portugueses, nem os portugueses como os brasileiros, simplesmente porque vão passar a escrever do mesmo modo, assim como pernambucanos e gaúchos não falam da mesma maneira”.

Mas se o lingüista não prevê grandes transformações no uso cotidiano do português, o tom da resposta muda quando se trata da posição brasileira no cenário mundial. “O aspecto mais importante da unificação é político”, acentua Bagno. Ele acredita que o acordo revela uma mudança importante na balança do poder. “É preciso que os portugueses reconheçam sua absoluta desimportância no cenário internacional e admitam que quem manda hoje na língua portuguesa no mundo é o Brasil”.

DIVULGAÇÃO DA LÍNGUA
Faltando apenas um mês para iniciar – de fato – a junção ortográfica e das gramáticas portuguesas, milhões de pessoas terão de se adaptar a uma nova forma de escrita. “A língua portuguesa é o terceiro idioma ocidental mais falado, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de haver duas ortografias (portuguesa e brasileira, únicos países falantes do idioma a terem academias reguladoras da língua), dificulta e atrapalha a divulgação do idioma e possivelmente a sua prática”, afirma a educadora Zilene Souza.

Para o economista Eduardo Brito, o fato de existirem duas ortografias dificulta campanhas de divulgação do idioma pelo mundo, sua adoção em fóruns internacionais e a impressão de manuais de instruções em português. "O acordo é uma condição essencial para a definição de uma política externa de promoção da língua portuguesa e sua difusão".

As mudanças foram discutidas pelos membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) desde 1990. Quase duas décadas depois, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, terão, enfim, uma única forma de escrever.

Tão logo as novas regras entrem em vigor, inicia-se o período de transição, no qual ministérios da educação, associações, academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos, gradativamente, vão reimprimir livros, dicionários, entre outros.


Mas os consumidores podem ficar tranqüilos quanto ao valor das obras impressas, é no que aposta o gerente da Livraria Civilização Brasileira, Ricardo Chaves. “Não acredito que vá aumentar os preços dos livros. O Mini-dicionário Aurélio é o único revisado com as novas regras e está o mesmo preço”. Para ele, o processo de adaptação vai demorar, “até porque, existem muitos livros ainda no mercado”.

SARAMAGO É CONTRA
A reforma ortográfica não conquistou unanimidade entre grandes entendedores do idioma. José Saramago, único escritor da língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em entrevista concedida à Rede de Televisão Portuguesa (RTP), declarou-se francamente contrário às modificações. “Continuarei escrevendo sem incorporar as mudanças de grafia previstas”, afirmou.

Publicado no Folha Salvador
As denúncias vão de ameaças a lesões corporais e estupros. Conforme dados da Delegacia Especial de Proteção a Mulher de Brotas (DEAM), cerca de 70% dos crimes contra a mulher acontecem no âmbito doméstico e os agressores são os maridos ou companheiros. No ano passado, foram registradas 8.875 ocorrências policiais na DEAM; de janeiro a outubro de 2008, outras 7.532. Devido aos números expressivos, foi instalada em Periperi, subúrbio ferroviário da capital, a segunda unidade da DEAM.

“A violência contra a mulher vem de dentro da casa. Cerca de 60% dos casos foram classificados como crime de proximidade, isto é, cometidos por pessoas conhecidas das vitimas”, afirma a delegada titular da DEAM Brotas, Cely Carlos.

A Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, em agosto de 2006, aumentou o rigor das punições por agressões
contra a mulher ocorridas no âmbito familiar. A lei entrou em vigor em 26 de setembro de 2006 e, no dia seguinte, o primeiro agressor foi preso, no Rio de Janeiro. “A Lei Maria da Penha conceitua e define as formas de agressões sofridas por mulheres no cotidiano: violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral”, explica a advogada criminalista Patrícia Macedo.

PENALIDADES - Maria da Penha é uma farmacêutica que foi espancada pelo marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredias Viveros, durante seis anos. Em 1983, ele tentou matá-la por duas vezes. Na primeira com arma de fogo, deixando a paraplégica, e a segunda por eletrocussão e afogamento. Marco Antonio foi preso somente depois de 19 anos de julgamento e ficou detido por dois anos em regime fechado.

Conforme a delegada, no passado as agressões eram classificadas como “rixas” e a penalidade ao agressor era insignificante, como por exemplo o fornecimento de cestas básicas e pagamento de multas. “Com a lei, o agressor não paga (cestas básicas, multas) por ter batido na mulher. A Lei Maria da Penha é uma revolução nos direitos da mulher”, afirma. A nova legislação prevê penas de um a três anos de prisão.

ÁREA DE RISCO - A delegacia inaugurada no subúrbio ferroviário já era uma reivindicação da população da área. Conforme a delegada titular de Brotas, 30% das ocorrências registradas procedem da região do subúrbio. A nova unidade vai atender aproximadamente 500 mil habitantes residentes na área.

Para o sociólogo Jorge Lisboa, a aprovação da Lei Maria da Penha e a instalação de novas delegacias destinadas ao combate da violência contra a mulher são fundamentais tanto para punir quem já agride quanto para deixar inseguros novos potenciais opressores. “A sociedade brasileira, especialmente neste momento, tem se revelado extremamente violenta. Daí a necessidade de criação de mecanismos capazes de assegurar o respeito aos direitos humanos e a dignidade da mulher, particularmente”, enfatiza.

Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro

O Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro e vai contar com pelo menos com 12 clubes. Os organizadores esperam que o certame revele novos nomes para o cenário nacional. De acordo com o assessor de comunicação do Galícia, Murilo Gitel, o campeonato deve trazer muitas revelações para a Seleção Brasileira de futebol feminino, a exemplo de
outras disputas anteriores, quando o próprio Galícia revelou atletas atualmente consagradas na Seleção Brasileira, como Elaine Estrela e Viola.

Na opinião do presidente do clube, Raimundo Nonato Reis, o Brasil precisa de um campeonato nacional de futebol feminino. Para ele, a falta de infra-estrutura no esporte pode impedir o surgimento de substitutas no mesmo nível de Formiga e Marta na seleção. “O Brasil
precisa acordar e ver que o futebol feminino já é uma realidade”, afirma.

Os prováveis clubes que, de acordo com a Federação Baiana de Futebol (FBF), devem participar do campeonato são: Abrup Esporte Clube, Associação Desportiva Independente, Associação Desportiva Lusaca, Clube 2004, Esporte Clube Estrela de Março, Galícia Esporte Clube, Flamengo de Feira Futebol Clube, Fluminense de Feira Futebol Clube Feminino, Real Bahia Esporte Clube, São Cristóvão Esporte Clube, São Francisco Esporte Clube e Seleção de São Félix.


Vice-campeão olímpica lamenta a falta de apoio ao esporte no Brasil

Atualmente vice-campeão do Mundo, vice-campeão olímpico e campeão Pan-Americano de futebol feminino, o Brasil não tem um campeonato nacional capaz de estimular a prática da modalidade. A Seleção Brasileira, que conta com a baiana Formiga e a alagoana Marta – eleita Melhor do Mundo em 2007 –, tem a maioria de suas atletas jogando em times estrangeiros. Marta é jogadora do clube sueco Uméa IK. Formiga é uma das poucas que continuam no
País, onde atua no Clube Botucatu, em São Paulo.

Formiga se despediu da seleção brasileira após a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Pequim, em agosto deste ano. Ela estava na Seleção desde 1995 e disputou quatro Copas do Mundo pelo Brasil. Ela e a jogadora Pretinha são as que atuam na seleção há mais tempo. “É muita injustiça. A gente se doa tanto e não tem o reconhecimento daqueles que podem fazer algo pelo futebol feminino no Brasil”, diz Formiga.

21 outubro 2008

Segundo turno abre nova temporada de acordos políticos

Após uma intensa disputa pela prefeitura, Walter Pinheiro (PT) e o prefeito João Henrique (PMDB) disputam o segundo turno na capital baiana. O prefeito alcançou 402.684 votos e Pinheiro 390.933. ACM Neto (DEM), que liderou as pesquisas eleitorais desde o começo, ficou em terceiro lugar com 346.881 votos. O ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB) ficou em quarto com 108.660 e Hilton Coelho (PSOL) em quinto com 51.196. Os dados são do Tribunal RegionalEleitoral (TRE).

No primeiro turno, o tema da segurança pública predominou nos debates. O prefeito João Henrique, disse ao Folha Salvador (Confira no site), que o seu governo investiu muito na área. Conforme o prefeito, ações como a criação das vias exclusivas para ônibus, o Banho de Luz, câmeras nos coletivos e a implantação da Guarda Municipal tem contribuído para diminuir os índices de violência na capital.

Pinheiro, por sua vez, se eleito, pretende ampliar as ações do PRONASCI – Programa Nacional de Segurança e Cidadania, instalando câmeras em locais estratégicos como Estação Pirajá, Liberdade, Estação Mussurunga e Itapuã. Outra proposta seria o Ronda 24 horas que prevê o patrulhamento em uma área de três quilômetros quadrados por viaturas alocadas por bairro.

O ex-prefeito Antônio Imbassahy, que chegou a ser favorito, não conseguiu êxito nessa disputa e já declarou seu apoio ao candidato petista. O próximo prefeito deverá disputar o apoio na Câmara dos Vereadores. Com os resultados do primeiro turno, a base aliada de João Henrique soma 16 vereadores contra 10 de Pinheiro. Falta saber que posição devem tomar os 12 vereadores da coligação de apoio a ACM Neto e se os três de Imbassahy manteriam o apoio a Pinheiro após o segundo turno.

Campeonato Baiana de Futebol Feminino começa em novembro

O Campeonato Baiano de Futebol Feminino começa em novembro e vai contar com pelo menos com 12 clubes. Os organizadores esperam que o certame revele novos nomes para o cenário nacional. De acordo com o assessor de comunicação do Galícia, Murilo Gitel, o campeonato deve trazer muitas revelações para a Seleção Brasileira de futebol feminino, a exemplo deoutras disputas anteriores, quando o próprio Galícia revelou atletas atualmente consagradas na Seleção Brasileira, como Elaine Estrela e Viola.

Na opinião do presidente do clube, Raimundo Nonato Reis, o Brasil precisa de um campeonato nacional de futebol feminino. Para ele, a falta de infra-estrutura no esporte pode impedir o surgimento de substitutas no mesmo nível de Formiga e Marta na seleção. “O Brasilprecisa acordar e ver que o futebol feminino já é uma realidade”, afirma.

Os prováveis clubes que, de acordo com a Federação Baiana de Futebol (FBF), devem participar do campeonato são: Abrup Esporte Clube, Associação Desportiva Independente, Associação Desportiva Lusaca, Clube 2004, Esporte Clube Estrela de Março, Galícia Esporte Clube, Flamengo de Feira Futebol Clube, Fluminense de Feira Futebol Clube Feminino, Real Bahia Esporte Clube, São Cristóvão Esporte Clube, São Francisco Esporte Clube e Seleção de São Félix.


Vice-campeão olímpica lamenta a falta de apoio ao esporte no Brasil

Atualmente vice-campeão do Mundo, vice-campeão olímpico e campeão Pan-Americano de futebol feminino, o Brasil não tem um campeonato nacional capaz de estimular a prática da modalidade. A Seleção Brasileira, que conta com a baiana Formiga e a alagoana Marta – eleita Melhor do Mundo em 2007 –, tem a maioria de suas atletas jogando em times estrangeiros. Marta é jogadora do clube sueco Uméa IK. Formiga é uma das poucas que continuam noPaís, onde atua no Clube Botucatu, em São Paulo.

Formiga se despediu da seleção brasileira após a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Pequim, em agosto deste ano. Ela estava na Seleção desde 1995 e disputou quatro Copas do Mundo pelo Brasil. Ela e a jogadora Pretinha são as que atuam na seleção há mais tempo. “É muita injustiça. A gente se doa tanto e não tem o reconhecimento daqueles que podem fazer algo pelo futebol feminino no Brasil”, diz Formiga.